EXCLUSIVO-Coca-Cola e Ambev disputam brasileira Natural One, dizem fontes

terça-feira, 1 de novembro de 2016 20:04 BRST
 

Por Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - Coca-Cola, Ambev e Britvic mostraram interesse preliminar em compra de participação na fabricante brasileira de sucos Natural One, afirmaram duas fontes com conhecimento direto do assunto à Reuters.

A Natural One, fundada há 10 anos por Ricardo Ermírio de Moraes, um dos herdeiros do conglomerado industrial Votorantim, contratou a unidade de banco de investimento do ABC Brasil para assessorá-la na transação, afirmaram as fontes.

Pelo menos três empresas de investimentos, das quais uma está se aliando com um empresário brasileiro do agronegócio, também estão analisando a transação e podem entrar na disputa pela empresa, afirmaram as fontes sem identificar o empresário.

Moraes ainda precisa se decidir entre vender uma parcela minoritária da Natural One ou o controle da empresa e busca uma avaliação de cerca de 450 milhões de reais para 100 por cento da companhia, disse a primeira fonte.

Representantes da Coca-Cola, Britvic e da Natural One não comentaram o assunto de imediato. Ambev e ABC Brasil não se pronunciaram.

Uma eventual aquisição poderá ajudar o futuro comprador a ampliar acesso ao Brasil, quinto maior mercado mundial para produtos de alimentação saudável, segundo a consultoria Euromonitor International. As bebidas naturais vão crescer 10 por cento ao ano até 2020 no Brasil enquanto o mercado de bebidas em geral vai passar por expansão anual de 5 por cento sobre o mesmo período.

Empresas iniciantes brasileiras de sucos naturais, sem adição de açúcar ou conservantes, estão ampliando presença no varejo do país. Em abril, outra fabricante de sucos, a Do Bem, foi vendida para a Ambev por um valor não revelado.

As multinacionais de bebidas têm investido no mercado de produtos não carbonatados nos últimos anos. Coca-Cola e Femsa compraram há 10 anos a mexicana Jugos Del Valle por 470 milhões de dólares. No ano passado, a britânica Britvic comprou a Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos (Ebba), que detém a tradicional marca Maguary, por 580 milhões de reais.