Fantasma do excesso de capacidade ronda indústria de energia eólica do Brasil

quinta-feira, 3 de novembro de 2016 18:53 BRST
 

Por Luciano Costa e Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria brasileira de energia eólica tem convivido com o fantasma do excesso de capacidade conforme o país reduziu a contratação de novas usinas em meio à crise econômica, o que gera apostas no mercado de que algumas empresas terão de fechar em breve suas unidades locais.

Especialistas e empresas afirmaram à Reuters que a demanda projetada para os próximos anos não deve ser suficiente para manter o amplo grupo de fabricantes de aerogeradores instalados no país, que inclui a norte-americana GE, as espanholas Gamesa e Acciona, a finlandesa Vestas, a alemã Wobben e a brasileira WEG.

Enquanto essas empresas somam entre 3,5 gigawatts e 4 gigawatts em capacidade anual de produção, o Brasil contratou apenas 1,2 gigawatt em novas usinas eólicas em 2015 e nenhum megawatt até o momento neste ano.

Os números representam uma clara mudança em relação aos anos anteriores, quando leilões específicos para a fonte e políticas de apoio ao conteúdo local com generosos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) levaram o Brasil a saltar de 600 megawatts eólicos em 2009 para os atuais 9,7 gigawatts.

Em 2013, o país contratou um recorde de usinas a vento, 4,7 gigawatts, com mais 2,2 gigawatts contratados em 2014, antes de a crise começar a minar a demanda.

"Temos um problema aí. Muita capacidade instalada para a demanda atual... o volume para seis fabricantes é muito pequeno, não sei o que vai acontecer", disse à Reuters o presidente da Vestas no Brasil, Rogério Zampronha.

"A gente vê que algumas empresas que construíram fábrica poderão deixar o país... algumas mais do que as outras, principalmente aquelas que fizeram investimentos efêmeros...", concordou o diretor de energia eólica da WEG, João Paulo Gualberto.

O governo federal agendou para 16 de dezembro um leilão para contratação de novas usinas eólicas e fotovoltaicas, mas a expectativa do mercado é de que poucos projetos sejam viabilizados.   Continuação...

 
Fotografia de um parque eólico em Osório, no Rio Grande do Sul, sul do Brasil 
30/11/2007
REUTERS/Jamil Bittar