Novos negócios crescem após 19 meses mas setor de serviços do Brasil permanece em contração, mostra PMI

sexta-feira, 4 de novembro de 2016 10:05 BRST
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - As condições do setor de serviços do Brasil se deterioram com força em outubro apesar do primeiro aumento em 20 meses no volume de novos negócios, de acordo os dados da pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgados nesta sexta-feira.

O IHS Markit informou que o PMI de serviços do Brasil caiu a 43,9 em outubro sobre 45,3 em outubro, com redução mais rápida e forte da produção diante da desaceleração da demanda e da recessão econômica. Leituras abaixo de 50 indicam contração da atividade.

Negociações de preços bem-sucedidas ajudaram as empresas fornecedoras da serviços a registrar aumento na entrada de novos negócios no mês passado. Ainda que o crescimento tenha sido apenas ligeiro, encerrou uma sequência de 19 meses seguidos de quedas.

"A recuperação dos novos negócios dá alívio aos fornecedores de serviços, mas muitos questionarão se isso marca o ponto de virada para o Brasil após um período prolongado de mal-estar econômico ou se foi um acontecimento pontual", destacou a economista do Markit Pollyanna de Lima.

Os aumentos foram registrados em três das seis categorias monitoradas --Intermediação Financeira, Hotéis e Restaurantes, e Correios e Telecomunicações.

A pesquisa aponta que as empresas tiveram em outubro recursos suficientes para trabalhar em projetos novos e existentes, mas ainda assim o número de funcionários caiu de forma acentuada, pela taxa mais rápida desde junho.

Buscando reduzir custos e com reestruturações operacionais, um em cada quatro entrevistados indicou perdas de empregos.

Os custos dos insumos aumentaram no período devido às negociações salariais aliadas à alta nos preços de alimentos e das despesas gerais, explicou o IHS Markit. Ainda assim, as empresas reduziram os preços de venda pelo sétimo mês seguido, devido à fraqueza da demanda.   Continuação...