CCR vê eventual aumento de capital como caminho para disputar novas concessões

sexta-feira, 4 de novembro de 2016 12:25 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A CCR considera um aumento de capital como um caminho natural para reunir recursos para pagamento de futuras novas concessões e não está vendo dificuldades para refinanciar dívidas de 5,7 bilhões de reais que vencem em 2017, afirmou nesta sexta-feira Flávia Godoy, que integra a equipe de relações com investidores da companhia.

"Não vemos dificuldade no mercado para a companhia refinanciar dívidas (...) A gente já tem proposta de alguns bancos para estes refinanciamentos", disse Godoy, em teleconferência com analistas após a divulgação na noite da véspera do resultado do terceiro trimestre.

"Se eventualmente a companhia for bem sucedida em novas oportunidades (novas concessões), aumento da capital seria caminho natural. Mas não estamos discutindo nada hoje sobre isso", acrescentou a executiva.

As ações da CCR lideravam altas do Ibovespa nesta sexta-feira por volta das 12:20, avançando cerca de 3 por cento, enquanto o índice oscilava ao redor da estabilidade.

O governo prepara há meses um pacote de concessões de infraestrutura que deve incluir quatro aeroportos, além de estradas e áreas portuárias. Entre as condições divulgadas anteriormente para os editais está o pagamento imediato de 25 por cento do valor da outorga dos empreendimentos.

"O fato do pagamento da outorga ser de um desembolso de 25 por cento, isso, de certa forma, requer uma necessidade de capital no início (...) A gente ainda não tem os editais, mas a companhia não vai deixar oportunidades na mesa por falta de capacidade de investimento", disse Godoy.

A executiva comentou que a CCR não espera para este ano uma recuperação das tendências de tráfego de veículos em suas rodovias, algo que deve ficar mais para 2017. Segundo ela, em setembro, o tráfego apresentou deterioração maior, sentida principalmente no segmento de veículos comerciais.

"Dados os indicadores recentes de produção industrial (...) não há sinais de que vamos estar próximo no curtíssimo prazo do ponto de inflexão. Isso deve ocorrer mais para 2017", disse Godoy.

A produção industrial do Brasil encerrou o terceiro trimestre com alta em setembro após duas quedas seguidas, mas o resultado ainda se mostrou insuficiente para abrir caminho para uma recuperação sustentada da economia. A alta de 0,5 por cento em setembro sobre o mês anterior veio após recuos de 3,5 por cento em agosto e de 0,1 por cento em julho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na terça-feira.

(Por Alberto Alerigi Jr.)