Mercado vê eventual eleição de Trump como interrupção temporária de recuperação da Bovespa

segunda-feira, 7 de novembro de 2016 16:26 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - A incerteza sobre a condução da maior economia do mundo no caso de uma eventual vitória do republicano Donald Trump deve causar um estresse inicial no mercado acionário brasileiro, tirando o Ibovespa temporariamente do rumo de recuperação, afirmam especialistas consultados pela Reuters.

"É um choque de incerteza considerável (a eventual vitória de Trump) e a incerteza afugenta investidores no primeiro momento", disse o estrategista-chefe global da XP Securities, Daniel Cunha, sobre o pleito marcado para terça-feira.

O Ibovespa subiu quase 50 por cento de janeiro a outubro e apenas nos três primeiros pregões de novembro o índice perdeu 5,1 por cento, acompanhando a aversão a risco nos mercados globais diante do avanço do republicano nas pesquisas eleitorais.

Em Wall Street, o S&P 500 caiu por nove sessões seguidas até sexta-feira da semana passada, a maior sequência de baixas em mais de 35 anos. Nesta sessão, o índice referência do mercado acionário norte-americano mostrava recuperação, com a melhora nas perspectivas para a candidata democrata após o FBI informar que não iria avançar com ações criminais no caso relacionado ao uso de seus emails.

Para o diretor de gestão de recursos da Mapfre Investimentos, Carlos Eduardo Eichhorn, o susto inicial com a eventual vitória de Trump poderia levar o índice a perder mais cerca de 6 por cento, levando o índice de volta ao patamar dos 57 mil pontos ante 63.700 nesta segunda-feira.

Empresas exportadoras com mais exposição aos Estados Unidos devem ser as mais afetados inicialmente, embora analistas ainda evitem traçar cenários corporativos específicos, afirmando que a análise individual dependerá não somente do resultado do pleito, mas do cenário que será traçado pelas políticas de Trump.

A incerteza é a palavra central no caso de vitória do republicano, atingindo inclusive as empresas estrangeiras que operam em solo norte-americano e não as que apenas exportam seus produtos aos EUA.

"JBS e Gerdau, por exemplo, têm grande parte de suas operações nos EUA. No caso de uma vitória de Trump não se sabe qual política ele vai querer implementar (para empresas estrangeiras)", disse Cunha, da XP Securities, acrescentando que neste cenário, uma análise mais detalhada será necessária e essas empresas tenderão a mostrar mais volatilidade.   Continuação...