November 8, 2016 / 3:57 PM / 8 months ago

Volkswagen investirá R$ 7 bilhões no Brasil até 2020, diz presidente

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - A Volkswagen anunciou nesta terça-feira que vai investir 7 bilhões de reais até 2020 no Brasil, em um plano que prevê o lançamento de uma nova família de carros, e preparar suas instalações no país para apoiar crescimento de vendas da marca na América Latina.

Segundo o presidente da Volswagen no Brasil, América do Sul, Central e Caribe, David Powels, a nova família será composta por quatro carros, que devem receber a maior parte dos recursos a serem investidos pela marca. Um dos modelos poderá envolver um utilitário esportivo (SUV) compacto.

O programa de investimento inclui ainda a implantação de nova arquitetura de produção, chamada pela empresa de MQB, a ser instalada em duas das fábricas do grupo alemão no Brasil, disse o executivo a jornalistas durante o salão do automóvel de São Paulo. A MQB já está presente na fábrica da empresa em São José dos Pinhais (PR), onde a Volkswagen monta o Golf.

A plataforma MQB, que será a base da maioria dos carros pequenos e médios com tração dianteira, usa um grande número de peças em comum em todos os modelos e marcas, permitindo que os veículos sejam montados mais rapidamente e a custos menores, afirma a marca.

O plano anterior da Volkswagen para o Brasil previa investimento de 10 bilhões de reais para o período de 2014 a 2018, informaram representantes da companhia.

Powels afirmou que enquanto a Volkswagen tem cerca de 12 por cento do mercado brasileiro e participação acima de 10 por cento na Argentina, a empresa pretende elevar sua participação de 3 a 4 por cento nos outros países de sua região. Para isso, a empresa pretende usar as bases produtivas no Brasil e Argentina para exportar para os outros países da região.

O executivo não deu detalhes sobre os planos, mas afirmou que uma das questões que podem dificultar as exportações da indústria brasileira de veículos é o câmbio. "Se o câmbio ficar mais forte que 3,10 ou 3,20 (reais por dólar) isso vai trazer problemas para a indústria", disse Powels, que está no posto há 18 meses. Nesta terça-feira, o dólar era cotado a 3,20 reais, por volta das 13:50.

Segundo ele, o mercado do Brasil poderá voltar ao pico alcançado em 2012, de cerca de 3,8 milhões de veículos vendidos, em sete ou 10 anos, "dependendo da situação política e mundial". A expectativa da indústria para as vendas deste ano gira em torno de 2 milhões de unidades, segundo dados da associação de montadoras Anfavea.

Ele, porém, defendeu que a indústria e o governo devem agir para apoiar o setor de autopeças, que fez investimentos ao longo dos últimos anos sob a expectativa de atender um mercado de 5 milhões de veículos que nunca se concretizou. "Precisamos olhar para isso. Importar 40 a 50 por cento das peças não funciona. Temos que trabalhar com o governo para segurar os fornecedores. A nova família de carros vai precisar de materiais diferentes e os fornecedores estão sem capacidade para investir", disse Powels.

O executivo afirmou que o mercado brasileiro está dando sinais de estabilidade e para 2017 "não há possibilidade de ser pior que este ano, mas não vai ter milagre, deverá ser uma recuperação gradual". As vendas neste ano acumulam queda de 22,3 por cento até outubro sobre o mesmo período do ano passado, a cerca de 1,7 milhão de veículos.

O executivo não citou detalhes sobre os modelos que a marca pretende trabalhar no Brasil em 2017, mas durante sua apresentação no salão do automóvel de São Paulo, a Volkswagen exibiu o utilitário futurista elétrico BUDD-e, considerado pela imprensa especializada como sucessor da antiga Kombi. A marca ainda mostrou o veículo conceito T-Cross Breeze, um utilitário compacto conversível "desenvolvido por brasileiros na Alemanha", disseram executivos da montadora.

O presidente da Volkswagen no Brasil evitou comentar se um dos dois modelos faz parte do novo plano de investimentos, mas comentou que a montadora está estudando a trazer a proposta do BUDD-e para o país, com outra motorização, que não a 100 por cento elétrica, como tem demonstrado na Alemanha.

Sobre os problemas com fornecedor de bancos e outras peças, que chegou a afetar dois meses de produção da montadora no país, Powels afirmou que devem ser resolvidos nos próximos meses depois que a Volkswagen acertou acordo para ser cliente da norte-americana Amvian, que começou a operar uma fábrica em Atibaia (SP) cerca de um mês atrás.

Por Alberto Alerigi Jr e Brad Haynes

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