Acordo de leniência da Odebrecht pode ser o maior do mundo

terça-feira, 8 de novembro de 2016 15:22 BRST
 

Por Brad Brooks

SÃO PAULO (Reuters) - Investigadores dos Estados Unidos e da Suíça trabalham com autoridades brasileiras para finalizar as tratativas com a Odebrecht para o que será possivelmente o maior acordo de leniência do mundo, disseram à Reuters pessoas envolvidas nas negociações.

Mais de 80 executivos e funcionários da Odebrecht estão negociando acordos de delação premiada e um acordo de leniência para a companhia no âmbito da operação Lava Jato. Em troca, eles precisam depor sobre o papel central do conglomerado no enorme esquema de pagamento de propina em contratos com a Petrobras.

O acordo de leniência deve ser o maior já realizado no mundo em termos financeiros, disseram duas fontes, superando o acordo de 2008 no qual a alemã Siemens pagou 1,6 bilhão de dólares a autoridades norte-americanas e europeias por pagar propinas para obtenção de contratos governamentais.

As delações podem envolver mais de 100 políticos atuais e do passado, alguns dos quais já investigados pela Lava Jato, disseram as fontes. É provável que a investigação atinja autoridades de alto escalão do governo do presidente Michel Temer.

O acordo também irá expor atos irregulares em muitos dos 27 países em que a Odebrecht realizou projetos, disseram à Reuters duas fontes envolvidas nas negociações. Isso pode "dar origem a 100 novas investigações", disse uma fonte.

Autoridades norte-americanas estão envolvidas porque parte do dinheiro usado como propina pela Odebrecht passou por bancos dos EUA e também por projetos realizados pela empreiteira em território norte-americano.

Investigadores dos EUA buscam informações sobre cidadãos norte-americanos ou empresas que podem ter cometido crimes em acordos com a Odebrecht.

O governo suíço concordou no mês passado em dar informações a autoridades brasileiras sobre transações financeiras realizadas por executivos da Odebrecht dentro de contas secretas na Suíça.   Continuação...

 
Logo da Odebrecht em edifício da empreiteira em Lima, no Peru. 28/06/2016 REUTERS/Janine Costa