Governo avalia liberar cotas não usadas a alguns importadores, diz presidente da Kia Motors Brasil

terça-feira, 8 de novembro de 2016 15:50 BRST
 

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal está estudando liberar cotas de importação de veículos livres do acréscimo de 30 pontos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não utilizadas por alguns importadores para quem tiver condições de ampliar vendas no país, afirmou o empresário José Luiz Gandini, representante no Brasil da sul-coreana Kia Motors.

"Na impossibilidade de mexer no regime Inovar Auto antes do fim de 2017, o governo estuda a possibilidade de liberar cotas não utilizadas em 2015 e 2016 para empresas que precisam de volume e ainda têm canal de distribuição relevante", disse Gandini, cujo grupo é o maior importador de veículos do Brasil.

Gandini, também presidente da associação de importadores de veículos Abeifa, disse durante o salão do automóvel de São Paulo que as vendas da Kia no Brasil caíram de 80 mil veículos em 2011 para esperadas 10 mil unidades em 2016 e que as quotas a serem utilizadas seriam as de marcas como as asiáticas SsangYong e Effa.

Ele não comentou qual será o critério de distribuição das cotas não aproveitadas nos anos anteriores e também não soube informar qual o volume total dessas cotas subaproveitadas, mas afirmou que a medida "deve sair nos próximos dias".

Para o presidente da associação de montadoras de veículos instaladas no país, Anfavea, uma eventual liberação das cotas não deve ter impacto relevante no mercado interno.

"É um pleito legítimo dos importadores, mas não acredito que vai ter grande impacto" nas vendas de veículos no mercado brasileiro, disse Antonio Megale. "Se isso for adotado, deve ter efeito somente a partir de 2017", acrescentou.

Segundo Gandini, com o atual nível do dólar entre 3,20 e 3,30 reais "é impossível" importar veículos fora da cota de até 4.800 veículos definida quando o governo implementou em 2012 o regime Inovar Auto, que reforçou a proteção à indústria local ao cobrar das empresas investimentos em produção nacional.

A participação dos veículos importados no total das vendas do país passou de 20,7 por cento em 2012 para 13,2 por cento em outubro deste ano, segundo dados da Anfavea.

O Inovar-Auto expira no final de 2017 e um regime substituto ainda não foi definido. Segundo Gandini, o "governo já sinalizou que não vai haver 30 pontos (de IPI para veículos que ultrapassarem a cota de cada empresa) depois de 2017".