Temer admite que reforma da Previdência não terá tramitação tranquila no Congresso

quarta-feira, 9 de novembro de 2016 10:54 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer admitiu, nesta quarta-feira, em entrevista a uma rádio de Minas Gerais, que a tramitação da reforma da Previdência não será tranquila, mas será amplamente discutida pelo Congresso.

"Você me pergunta, 'vai tramitar tranquilamente'? Eu digo não. As pessoas pensam que se o governo propôs um projeto não vai haver modificação nenhuma. Nós vamos propor um projeto. Isso vai ser discutido amplamente pelo Congresso, que vai definir se mantém isso ou aquilo", disse Temer.

O presidente ressaltou, ainda, que a intenção da proposta é igualar a aposentadoria de todos, no setor público e privado, e também dos políticos. Mas que o governo trabalha em uma proposta "absorvível".

"Vamos igualar a todos. Mas temos fortíssimas regras de transição. Essas regras significam que essas coisas serão feitas ao longo do tempo. Vamos fazer uma coisa absorvível, que o povo possa absorver, que a classe política possa absorver", afirmou.

O governo já admite que a reforma a ser feita será a possível, e que o país terá que mexer de novo nas regras em 10 ou 15 anos. Em conversa com a Reuters, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha --que coordena o grupo que prepara o texto da reforma-- confirmou que as mudanças, caso aprovadas, serão as que a população tem condições de aceitar agora.

"Com todo o esforço projetado ainda ficaremos longe da sustentabilidade e da autossuficiência do sistema. O déficit vai permanecer. Daí porque tenho dito que não estamos propondo a reforma necessária, a que garantiria a sustentabilidade, mas aquela que os assegurados possam suportar, a reforma possível", disse o ministro.

De acordo com o presidente, o déficit previdenciário este ano é de 150 bilhões de reais, e a projeção para 2017, de 180 bilhões de reais. "Nenhum país aguenta isso. Então, se não fizermos alguma coisa para arrumar a casa não há como consertar as coisas", disse.

Temer confirmou que enviará a reforma ao Congresso ainda esta ano, mas admitiu que a discussão deverá acontecer apenas em 2017. O governo espera a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos no Senado para então enviar o texto da reforma. A intenção é não ter dois temas difíceis tramitando ao mesmo tempo.

O presidente defendeu também a PEC do teto de gastos. Ao ouvir do interlocutor que alguns chamam a proposta de "PEC da morte", Temer afirmou que para ele é a "PEC da vida".   Continuação...