Eleição de Trump pode trazer dificuldades comerciais para o Brasil, admitem fontes do governo

quarta-feira, 9 de novembro de 2016 18:18 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu

(Reuters) - Se oficialmente o governo brasileiro tenta minimizar o impacto da eleição de Donald Trump para o país, nos bastidores fontes governistas e diplomáticas não escondem a preocupação com as dificuldades que o Brasil deve enfrentar, especialmente no campo comercial.

Avesso a acordos comerciais, que vê como uma exportação de empregos norte-americanos, Trump possivelmente não terá interesse em levar adiante as conversas de aproximação comercial iniciadas pelo governo brasileiro.

"Possivelmente vai enterrar o sonho da aproximação comercial. Esse é um tema que vai sim ficar complicado", disse à Reuters uma alta fonte diplomática.

A relação com os Estados Unidos foi colocada como uma das prioridades do governo de Michel Temer, assim que assumiu, ainda como interino, com o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff.

Apesar das dificuldades de um acordo comercial clássico, o Itamaraty trabalha para eliminar barreiras, especialmente não tarifárias, com o seu segundo maior parceiro comercial.

No governo brasileiro havia a certeza de que Hillary Clinton seria eleita --além de uma preferência pela democrata, já que a avaliação no Palácio do Planalto era de que Trump era excessivamente "imprevisível" e podia prejudicar os interesses comerciais do país.

A avaliação de que o republicano não tinha chances levou o ministro das Relações Exteriores, José Serra, a criticar abertamente Donald Trump e desconsiderar sua possível eleição.

Em junho deste ano, o chanceler havia dito, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que Trump não podia ser eleito. Um mês depois, falando ao jornal Correio Braziliense, considerou a escolha do republicano como um "pesadelo".   Continuação...

 
Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, em evento eleitoral em Nova York, Estados Unidos
09/11/2016  REUTERS/Mike Segar