Bovespa fecha em baixa de 1,4% após eleição de Trump; Vale limita perda

quarta-feira, 9 de novembro de 2016 18:44 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista encerrou em baixa nesta quarta-feira, por cautela após a eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, embora as perdas tenham sido limitadas pela recuperação em Wall Street e pelos ganhos das ações da Vale

O Ibovespa caiu 1,4 por cento, a 63.258 pontos, após ter perdido 3,7 por cento no pior momento do dia e subido 0,3 por cento na máxima. O volume financeiro do pregão foi intenso, somando 11,5 bilhões de reais, acima da média diária do mês até a véspera, de 8,3 bilhões de reais.

A Bovespa abriu com o mau humor mais acentuado, reagindo às incertezas ao discurso com viés mais protecionistas de Trump na campanha. No entanto, o tom mais conciliador adotado após a vitória surpreendente sobre a favorita Hillary Clinton e a melhora em Wall Street amenizaram as preocupações.

"O mercado continua cauteloso, mas não está vendo a situação tão ruim como se esperava... O discurso (de vitória do Trump) foi centrado, bem objetivo, sem o que ele falava durante a eleição. Isso ajuda a mudar um pouco a cabeça das pessoas", disse o analista da Clear Corretora Raphael Figueredo.

Em Wall Street, o S&P 500 subia cerca de 1,15 por cento, com investidores voltando as atenções a setores que mostram inclinação a se beneficiar das políticas de uma Presidência de Trump.

Segundo especialistas consultados pela Reuters antes da eleição norte-americana, a vitória de Trump poderia indicar uma interrupção temporária no ritmo de recuperação do Ibovespa, que subiu 48 por cento no ano até a sessão passada, mas sem impactos de longo prazo.

Operadores destacam que o avanço em medidas econômicas no Brasil, como a aprovação da proposta que limita o crescimento dos gastos públicos no Senado e o encaminhamento da proposta de reforma da Previdência, será crucial para a manutenção da recuperação da bolsa brasileira.

Outro fator que pode beneficiar o Brasil no médio prazo é a busca por alternativas ao México, país na linha de frente dos emergentes com mais exposição aos EUA.   Continuação...