Nova presidente do BNDES lidera maior transformação no banco em décadas

quinta-feira, 10 de novembro de 2016 16:37 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - Em seis meses à frente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques implementou a transformação mais ambiciosa no banco estatal de fomento em duas décadas, ao mesmo tempo em que reverteu anos de apoio caro a conglomerados locais escolhidos a dedo.

Desde que foi nomeada por um novo governo de centro-direita em maio, Maria Silvia, 59, impôs condições mais rígidas para os desembolsos de recursos do banco, pediu aos membros do conselho para apertar o escrutínio nas decisões ligadas a grandes empresas e aumentou o papel da instituição como guardiã da transparência corporativa.

Ao repensar a forma como o BNDES, que já existe há 64 anos, interage com as empresas que financia e detém participações, Maria Silvia está lentamente tornando menos opacas as relações com grandes tomadores de crédito no banco.

Ela também está revendo práticas que pressionaram a carteira de crédito da instituição e sufocaram o valor das participações detidas pelo braço de investimento do BNDES.

Durante os 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, que terminou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no final de agosto, o BNDES forneceu crédito abundante a custos baixos a um seleto grupo de "campeões nacionais" - construtoras, mineradoras, fabricantes de celulose e processadores de proteína animal, em preparações para se tornarem potências mundiais.

O BNDES desembolsou anualmente três vezes mais em empréstimos que o Banco Mundial no início da década, antes do fim de um boom de commodities que levou a economia superaquecida do Brasil a uma dolorosa recessão.

Maria Silvia disse a líderes empresariais nesta semana que uma excessiva dependência de bancos estatais para crédito de longo prazo colocou um pesado fardo sobre o BNDES, aumentou a incerteza regulatória e fez subsídios mais caros do que inicialmente se pensava.

A taxa de juros que o BNDES cobra na maioria dos empréstimos tem, durante décadas, ficado abaixo do CDI, em parte devido à pressão dos políticos para impulsionar o crescimento e criar empregos. No entanto, o subsídio implícito nos empréstimos subsidiados custou aos contribuintes 1 por cento do Produto Interno Bruto no ano passado.   Continuação...