Braskem vê retomada de demanda no Brasil, aguarda políticas de Trump sobre México

quinta-feira, 10 de novembro de 2016 17:13 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Braskem está vendo um processo de reestocagem de produtos petroquímicos em seus clientes no Brasil, o que indica uma retomada concreta da demanda em alguns setores da economia, afirmou nesta quinta-feira o presidente da companhia, Fernando Musa.

O executivo não citou setores específicos durante teleconferência com analistas sobre os resultados da Braskem no terceiro trimestre, mas afirmou que as vendas maiores da empresa no mercado interno no período ocorreram diante de uma maior demanda por produtos petroquímicos no Brasil.

A companhia divulgou mais cedo queda de 45 por cento no lucro líquido do terceiro trimestre, com uma geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) estável sobre o valor de um ano antes. [nL1N1DB0J7]

Às 15h59, as ações da Braskem, que têm grande parte de suas receitas em dólares, exibiam alta de 3,9 por cento, em meio a um movimento de forte alta da moeda norte-americana frente ao real.

O executivo comentou ainda que a empresa está aguardando uma "tradução da retórica eleitoral (nos Estados Unidos) para uma realidade de governo" antes de tomar eventuais medidas que envolvam a sua fábrica recém inaugurada no México.

"De modo geral, nossa expectativa é que a economia mexicana e a nossa capacidade de colocar produtos em outras regiões, caso nos EUA isso não seja possível, garantam que possamos colocar a produção mexicana de forma competitiva e rentável, independentemente das barreiras (comerciais)", disse Musa durante teleconferência com analistas.

Musa afirmou que "seria razoável esperar reação mexicana" em caso de protecionismo dos EUA sob Trump, mas não deu detalhes.

Segundo ele, atualmente a fábrica da Braskem no México exporta 60 por cento de sua produção, mas conforme o ritmo de produção da unidade cresce tanto em termos de volume quanto de quantidade de produtos, a tendência no longo prazo é que esta proporção caia para 10 a 20 por cento. A unidade tem capacidade para produzir 1 milhão de toneladas de polietileno por ano.

"Nossa expectativa é que a planta seguirá exportadora de forma contínua. Existem boas oportunidades para atender clientes nos EUA, América do Sul e Europa", disse o presidente da Braskem.

(Por Alberto Alerigi Jr.)