Equatorial e State Grid disputam ativos em operação da Abengoa no Brasil

quinta-feira, 10 de novembro de 2016 17:18 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica Equatorial e a chinesa State Grid travam uma disputa por linhas de transmissão já em operação que a espanhola Abengoa tenta vender no Brasil em meio a uma crise financeira, afirmaram nesta quinta-feira dirigentes que participam das negociações.

A Equatorial foca os esforços em levar, além de linhas já prontas, outros dois lotes de empreendimentos no Nordeste que estão com obras em estado mais avançado, enquanto a State Grid, que já avalia há meses os empreendimentos da Abengoa, agora foca a atenção apenas nos ativos operacionais.

"As (linhas) em construção nós já definitivamente não estamos mais analisando", disse a jornalistas o vice-presidente de Operação e Manutenção da State Grid, Ramon Haddad, após participar de evento do setor de energia em São Paulo.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse a repórteres no mesmo evento que a Equatorial parece estar na frente pela disputa neste momento.

"Que eu conheço, a negociação mais efetiva, concreta, é a da Equatorial", disse Rufino.

Ele explicou que a Equatorial pretende comprar junto com as linhas já em operação outros dois projetos em desenvolvimento (ATE XVI e ATE XVII) que representam oito linhas entre Bahia, Piauí, Tocantins, Rio Grande do Norte e Ceará.

No início de novembro, a Equatorial disse em comunicado ao mercado que analisa diversas possibilidades de investimentos em projetos ou ativos do setor elétrico, incluindo os da Abengoa.

O conjunto de obras de transmissão abandonado pela Abengoa desde novembro passado soma cerca de 6 mil quilômetros de extensão e exigiria cerca de 8 bilhões de reais para ser implementado, segundo cálculos do Ministério de Minas e Energia.

Segundo Rufino, a Aneel aguarda os esforços da elétrica espanhola, mas ao mesmo tempo já trabalha nos procedimentos necessários para viabilizar no primeiro semestre de 2017 uma relicitação dos ativos da companhia que não forem negociados com outros agentes.

(Por Luciano Costa)