Petrobras perde R$16,5 bi no 3º tri por baixas contábeis, mas tem melhora operacional

quinta-feira, 10 de novembro de 2016 23:46 BRST
 

Por Roberto Samora e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras teve prejuízo líquido de 16,5 bilhões de reais no terceiro trimestre, diante de baixas contábeis bilionárias, mas a empresa mostrou forte melhora no desempenho operacional, em meio a uma recessão no mercado brasileiro.

A companhia apresentou resultado líquido ainda pior que o verificado no mesmo período do ano passado, que registrou prejuízo de 3,759 bilhões de reais, com impairment de ativos e de investimentos em coligadas no valor de 15,709 bilhões de reais.

Segundo a Petrobras, o impairment foi decorrente da apreciação do real e aumento da taxa de desconto e da revisão de um conjunto de premissas, tais como preço de Brent e taxa de câmbio de longo prazo, e da carteira de investimentos contemplados no Plano de Negócios e Gestão 2017-2021.

O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, explicou que normalmente a empresa realiza testes de imparidade no quarto trimestre, mas neste ano realizou no terceiro por conta do novo plano de negócios, que postergou em setembro uma série de projetos devido a um drástico corte de 25 por cento nos investimentos ante programa anterior.

"O resultado da imparidade teve impacto importante no lucro da companhia, essa é a mensagem, esse foi um evento não recorrente, e não esperamos novos testes de imparidade nessa magnitude", disse Monteiro a jornalistas.

Para o executivo, todos os indicadores da companhia melhoraram, e, se não fosse o impairment, a empresa teria tido lucro de 600 milhões de reais.

Ele afirmou ainda que variáveis importantes, como o preço do petróleo Brent, câmbio e maior taxa de desconto (maior custo do capital diante da perda de grau de investimento do país) respondem a movimentos de mercado por serem exógenas, e "a empresa não tem controle sobre elas".

O prejuízo também foi influenciado por maior despesa com programa de demissão voluntária --já são quase 12 mil funcionários inscritos no plano-- e pela provisão para gastos com acordos em ações judiciais nos EUA, decorrentes do escândalo de corrupção.   Continuação...

 
Funcionário pinta tanque da Petrobras em Brasília.  30/9/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino