10 de Novembro de 2016 / às 23:12 / 10 meses atrás

Petrobras perde R$16,5 bi no 3º tri por baixas contábeis, mas tem melhora operacional

Funcionário pinta tanque da Petrobras em Brasília. 30/9/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras teve prejuízo líquido de 16,5 bilhões de reais no terceiro trimestre, diante de baixas contábeis bilionárias, mas a empresa mostrou forte melhora no desempenho operacional, em meio a uma recessão no mercado brasileiro.

A companhia apresentou resultado líquido ainda pior que o verificado no mesmo período do ano passado, que registrou prejuízo de 3,759 bilhões de reais, com impairment de ativos e de investimentos em coligadas no valor de 15,709 bilhões de reais.

Segundo a Petrobras, o impairment foi decorrente da apreciação do real e aumento da taxa de desconto e da revisão de um conjunto de premissas, tais como preço de Brent e taxa de câmbio de longo prazo, e da carteira de investimentos contemplados no Plano de Negócios e Gestão 2017-2021.

O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, explicou que normalmente a empresa realiza testes de imparidade no quarto trimestre, mas neste ano realizou no terceiro por conta do novo plano de negócios, que postergou em setembro uma série de projetos devido a um drástico corte de 25 por cento nos investimentos ante programa anterior.

“O resultado da imparidade teve impacto importante no lucro da companhia, essa é a mensagem, esse foi um evento não recorrente, e não esperamos novos testes de imparidade nessa magnitude”, disse Monteiro a jornalistas.

Para o executivo, todos os indicadores da companhia melhoraram, e, se não fosse o impairment, a empresa teria tido lucro de 600 milhões de reais.

Ele afirmou ainda que variáveis importantes, como o preço do petróleo Brent, câmbio e maior taxa de desconto (maior custo do capital diante da perda de grau de investimento do país) respondem a movimentos de mercado por serem exógenas, e “a empresa não tem controle sobre elas”.

O prejuízo também foi influenciado por maior despesa com programa de demissão voluntária --já são quase 12 mil funcionários inscritos no plano-- e pela provisão para gastos com acordos em ações judiciais nos EUA, decorrentes do escândalo de corrupção.

OPERACIONAL MELHOR

Se o resultado líquido foi ruim pelas baixas contábeis, o lucro ajustado antes de juros, taxas, depreciação e amortização (Ebitda) somou 21,603 bilhões de reais, alta de 39,3 por cento ante o mesmo período de 2015, ficando ainda acima da expectativa de analistas, que esperavam 19,707 bilhões de reais.

Na comparação com o segundo trimestre, houve uma alta de 6 por cento no Ebitda ajustado, devido ao aumento da produção e exportação de petróleo e aos menores gastos com importações.

A receita de venda da empresa atingiu 70,4 bilhões de reais, queda de 1 por cento na comparação com o segundo trimestre e forte recuo de 14,3 por cento ante o mesmo período de 2015.

A produção de derivados no Brasil apresentou queda de 3 por cento no período de julho a setembro ante o trimestre anterior, totalizando 1,862 milhão de barris por dia (bpd), enquanto as vendas no mercado doméstico atingiram 2,088 milhões de bpd, uma queda de 1 na mesma comparação.

As vendas de diesel, principal combustível vendido no país, caíram 1 por cento ante o segundo trimestre, enquanto as vendas de gasolina recuaram 4 por cento, na mesma comparação, com a empresa enfrentando a crise econômica e a concorrência de outras companhias, que aproveitaram janelas de importação de derivados para vender a preços competitivos no mercado interno.

INCERTEZA SOBRE DIVIDENDOS

Monteiro afirmou que a companhia ainda não tem como dizer se voltará a pagar dividendos, uma vez que não é possível antecipar se terá lucro ou prejuízo neste ano. “Temos um trimestre pela frente”, acrescentou.

No acumulado de janeiro a setembro, a empresa acumula prejuízo líquido de 17,3 bilhões de reais.

A dívida, uma das grande preocupações da companhia, considerada a mais endividada da indústria de petróleo, apresentou queda.

A empresa informou que o endividamento bruto recuou 19 por cento ante o final do ano passado, para 398,165 bilhões de reais, principalmente pela apreciação do real. O endividamento líquido passou de 392,136 bilhões para 325,563 bilhões de reais no período, uma queda de 17 por cento.

Reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal, em São Paulo

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