Estácio vê 2017 mais desafiador, mantém estratégia de redução de bolsas, diz presidente

quinta-feira, 10 de novembro de 2016 21:34 BRST
 

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - A Estácio Participações se prepara para um 2017 ainda mais desafiador que este ano, afirmou o presidente da empresa de ensino superior privado, Pedro Thompson, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre.

"Otimismo existe, é inegável. Mas olhando para economia com viés empírico e na banda que mais atuamos, a classe C, o próximo ano pode ser até mais desafiador que 2016", disse o executivo em entrevista à Reuters.

De acordo com ele, a empresa deve prosseguir com a estratégia de captação de alunos baseada em menos descontos e bolsas para tornar sua base de estudantes mais sustentável, bem como focará na racionalização das despesas com publicidade e custo docente.

"Nosso principal 'driver' de valor é a base de alunos, que para nos permitir maior receita precisa ser sustentável, gerando menor evasão, menos PDD (provisões de perdas com inadimplência) e tíquetes médios mais apropriados", disse Thompson.

Questionado sobre a Medida Provisória 741/2016, que transfere da União para as instituições de ensino a obrigação de remunerar os bancos por custos decorrentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), Thompson ressaltou que a cobrança já gerou um impacto de cerca de 7 milhões de reais no terceiro trimestre. "Nos próximos trimestres, o efeito da taxação deve ficar em torno disso também", disse ele.

Apesar da redução da base de alunos do Fies para 124,5 mil ao fim de setembro, o equivalente a 35,9 por cento do total de matrículas, o executivo afirmou que a boa geração de caixa deve permitir à Estácio conceder financiamento próprio aos alunos. "Queremos colocar na rua para captação do ano que vem", afirmou.

Sobre os esforços de matrículas para 2017, Thompson observou que os jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em agosto, devem afetar o cronograma na região. "O calendário foi alterado e o ano letivo vai até 21 de dezembro, o que desloca o timing das captações", afirmou.

A Estácio reportou nesta quinta-feira lucro líquido de 135,7 milhões de reais no terceiro trimestre, 7,2 por cento maior que o de igual período de 2015.

A Kroton, que está em processo de fusão com a Estácio, divulgou mais cedo alta de 11 por cento no lucro ajustado do terceiro trimestre, a 452,7 milhões de reais. O presidente-executivo da empresa, Rodrigo Galindo, afirmou que a companhia já completou 25 por cento do processo de captação de alunos para 2017.