Alta do dólar e incertezas por Trump acendem sinal de alerta para o BC

sexta-feira, 11 de novembro de 2016 14:59 BRST
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - As incertezas em torno da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos e a consequente forte valorização do dólar ante o real nos últimos dias acendeu um sinal de alerta para o Banco Central que pode deixá-lo ainda mais cauteloso na condução da política monetária.

"Entendemos que existe o risco da incerteza, e isso aumenta a probabilidade de o BC ser mais conservador. Vai depender da consolidação desse cenário e a questão externa prevalece", avaliou o economista-sênior do banco de investimento Haitong, Flávio Serrano.

O BC iniciou no mês passado novo ciclo de afrouxamento monetário, ao reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14 por cento ao ano. E havia indicado que novas quedas e maior intensidade dependeriam do comportamento, sobretudo, da inflação de serviços e do ajuste fiscal brasileiro.

Mas a imprevisibilidade e posições mais radicais de Trump podem entrar neste cenário, já que vêm deixando os mercados financeiros temerosos e têm potencial de deixar o BC ainda mais cauteloso, podendo evitar que coloque o pé do acelerador em suas decisões sobre a taxa básica de juros.

Para os especialistas consultados pela Reuters, o BC pode optar na reunião do final deste mês, a última do ano, em manter o ritmo de corte de 0,25 ponto percentual e reduzir a Selic para 13,75 por cento. No mercado de juros futuros, essa já era a aposta.

"Se o dólar não cair, o BC pode nas próximas semanas dar indicação de que vai manter o gradualismo (nos cortes dos juros). Isso muda toda a curva e o cenário para o ano que vem", afirmou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini

A vitória de Trump trouxe muitas incertezas nos mercados financeiros globais, fazendo o dólar saltar mais de 6 por cento sobre o real nas duas sessões passadas; nesta, já encostou em 3,50 reais, com potencial inflacionário.

Agostini ainda mantém a expectativa de corte de 0,50 ponto da Selic em 30 de novembro e manutenção dessa magnitude em 2017 até que a taxa chegue a 10,5 por cento. "Mas se o BC for mais gradualista, a projeção para o ano que vem muda para mais próximo de 11,5 por cento", completou.   Continuação...