Para reforçar capital, Caixa Econômica vai repassar menos dividendos ao governo federal

segunda-feira, 14 de novembro de 2016 13:24 BRST
 

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal vai repassar apenas 25 por cento do lucro de 2016 e 2017 na forma de dividendos ao governo federal, seu controlador, dentro dos esforços para usar mais da geração orgânica de resultados para fortalecer os níveis de capital, disse nesta segunda-feira o vice-presidente de finanças e controladoria do banco, Osvaldo Brasil.

"É um acerto de dois anos que fizemos com reguladores e com o próprio governo”, disse Brasil à Reuters, em entrevista por telefone.

Nos últimos anos, a Caixa vinha repassando ao governo a maior parte dos lucros ao governo, que ao mesmo tempo vinha injetando grandes volumes de capital no banco para financiar o crescimento da carteira de crédito.

Mais cedo nesta segunda-feira, a Caixa anunciou queda de 67 por cento no lucro líquido do terceiro trimestre ante mesma etapa de 2015. Embora tenha conseguido repassar juros maiores para o tomador, a Caixa seguiu tendo o lucro pressionado por provisões para calotes.

O nível de rentabilidade da Caixa sobre o patrimônio, que mostra como um banco remunera o capital do acionista, desabou 6,75 pontos percentuais, para 6,5 por cento, menos da metade do patamar dos principais rivais privados.

A menor capacidade de gerar capital organicamente tem provocado crescentes discussões de que o banco precisará de mais injeção de recursos federais para não ficar com níveis de capital abaixo das exigências regulatórias. Em relatório, a Moody's calculou que essa ajuda por ser de cerca de 18 bilhões de reais.

"Não vamos precisar de capital em 2017; estamos focados em elevar nossa rentabilidade no médio prazo ao menos para o nível da Selic", disse Brasil. A Selic, taxa básica de juros, hoje está em 14 por cento ao ano.

O índice de Basileia da Caixa caiu 0,8 ponto no trimestre, no comparativo anual, para 13,46 por cento, também abaixo da média dos demais bancos de grande porte do país.   Continuação...