Leilão para usinas solares e eólicas tem bom preço para investidor, dizem analistas

segunda-feira, 14 de novembro de 2016 15:24 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de reserva para contratação de novas usinas de energia solar e eólica agendado pelo governo para 16 de dezembro deverá ter sucesso em atrair investidores mesmo em meio à conjuntura econômica ainda adversa do Brasil, afirmaram especialistas à Reuters nesta segunda-feira.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu na sexta-feira os preços teto para a licitação, que foram vistos como suficientes inclusive para acomodar algum risco cambial, após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas levar a uma desvalorização do real contra o dólar.

A geração das usinas solares será negociada a um máximo de 320 reais por megawatt-hora, enquanto as eólicas terão teto de 247 reais por megawatt-hora. Os vencedores do leilão fecharão contratos com duração de 20 anos e início do suprimento em julho de 2019.

"O preço está bom, é satisfatório", disse à Reuters o presidente do conselho da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza.

A avaliação é semelhante entre os investidores de geração solar, de acordo com o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia. "O valor foi bem recebido... atrairá um volume importante de empreendedores para participar do certame... com esta sinalização positiva ao mercado, haverá forte competição."

Os leilões de reserva são realizados pelo governo com o objetivo contratar energia extra para garantir a segurança no atendimento à demanda. Assim, o certame acontecerá mesmo em um cenário de sobreoferta de eletricidade devido à crise, o que faz com que a expectativa não seja de uma contratação muito expressiva.

Além disso, os especialistas observaram que as restrições de financiamento ainda existentes em meio à recessão brasileira limitam a entrada de empresas no certame.

"Os fundos de investimento saem favorecidos, porque já possuem dinheiro levantado, e os estrangeiros também", afirmou o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rêgo.   Continuação...