Governo apoiará vendas de até 1,7 mi t de trigo; medida sai esta semana

quarta-feira, 16 de novembro de 2016 16:36 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério da Agricultura do Brasil receberá orçamento de 150 milhões de reais para gastar com programas para garantir o preço mínimo do trigo nesta temporada, o que poderá representar apoio à comercialização de 1,2 milhão a 1,7 milhão de toneladas do grão, disse nesta quarta-feira à Reuters o secretário de Política Agrícola da pasta, Neri Geller.

Segundo ele, uma portaria interministerial autorizando as medidas deverá ser publicada no Diário Oficial da União até sexta-feira, o que deve ser visto como uma boa notícia pelos produtores do cereal no Sul do país, que têm enfrentado preços abaixo do mínimo estabelecido pelo governo, em meio a uma grande safra.

O volume de 1,7 milhão de toneladas de trigo, que pode receber apoio do governo, representa cerca de 27 por cento da safra total esperada pelo Brasil. A colheita recorde em desenvolvimento, oficialmente estimada em 6,3 milhões de toneladas no país, está colaborando com a queda nos preços do cereal.

Segundo Geller, que esteve reunido no Ministério da Fazenda na manhã desta quarta-feira, a liberação de recursos já teve parecer favorável das equipes técnica e jurídica daquela pasta, aguardando apenas uma assinatura do ministro Henrique Meirelles.

"Assim que sair no Diário Oficial, no mesmo dia já lanço os editais", disse o secretário.

Segundo ele, deverão ser usados principalmente dois mecanismos, conhecidos como Pepro e PEP. No primeiro, os produtores participam de um leilão para disputar um prêmio que é a diferença entre os valores de mercado e o preço mínimo definido pelo governo. No segundo instrumento, a disputa é por uma subvenção paga às empresas que fizerem a compra e a venda do produto.

O preço mínimo do trigo está definido atualmente em 38,65 reais por saca. Analistas reportam que a média dos negócios realizados está em 35 reais no Paraná e pouco mais de 31 reais no Rio Grande do Sul. Os dois Estados são os principais produtores de trigo do país.

"Os mecanismos de PEP serão principalmente para abastecer moinhos do Nordeste e de São Paulo", destacou o secretário.   Continuação...