Andrade Gutierrez assina acordo de leniência e admite cartel em Belo Monte

quarta-feira, 16 de novembro de 2016 20:04 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A construtora Andrade Gutierrez assinou acordo de leniência junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no qual admite ter participado de um cartel na licitação da hidrelétrica de Belo Monte e na contratação das obras da usina, disse nesta quarta-feira o órgão de defesa da concorrência.

Segundo o Cade, agora será aberto um inquérito adminsitrativo sigiloso para investigar as denúncias, que ainda apontam as empreiteiras Camargo Corrêa e Odebrecht como participantes da suposta conduta anticompetitiva.

A Andrade Gutierrez informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o acordo divulgado nesta quarta-feira está em linha com sua postura, desde o fechamento do acordo de leniência com o Ministério Público, de continuar colaborando com as investigações em curso.

"Além disso, a empresa afirma ainda que continuará realizando auditorias internas no intuito de esclarecer fatos do passado que possam ser do interesse da Justiça e dos órgãos competentes."

A Odebrecht afirmou que não comentará o tema.

Procurada, a Camargo Corrêa disse apenas que "firmou acordo de leniência em que corrige irregularidades e reitera que permanece à disposição para colaborar com as autoridades". A construtora já firmou outros acordos do gênero com o Cade sobre cartel em licitação da usina Angra 3 e cartel em licitações da Petrobras.

A investigação, que é mais um desdobramento das apurações de corrupção conduzidas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, envolverá também ao menos seis executivos e ex-executivos de alto escalão dessas companhias.

O Cade disse que o acordo de leniência com a Andrade Gutierrez e seus executivos e colaboradores foi celebrado com o órgão e o MPF do Paraná em setembro, mas estava até então em sigilo devido ao andamento das investigações.

O julgamento final na esfera administrativa caberá ao tribunal do Cade, que poderá aplicar multas de até 20 por cento do faturamento às empresas eventualmente condenadas. Já as pessoas físicas envolvidas estão sujeitas a multas de 50 mil reais e 2 bilhões de reais.   Continuação...

 
Viatura da Polícia Federal é fotografada em frente à sede da construtora Andrade Gutierrez em Belo Horizonte, no Brasil
19/06/2015
REUTERS/Washington Alves