Meirelles diz que reformas vão conter efeito Trump

quarta-feira, 16 de novembro de 2016 19:59 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal

NOVA YORK (Reuters) - O governo brasileiro precisa aprovar uma série de reformas orçamentárias para proteger a economia da volatilidade global decorrente da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

As reformas, que incluem um limite para o crescimento dos gastos federais por 20 anos e a reforma da previdência, também ajudarão a levar a inflação de volta para a meta oficial, disse Meirelles em um evento em Nova York.

"Quanto mais rápido aprovarmos as reformas, mais rapidamente o risco do país pode cair", disse.

As reformas orçamentárias têm uma alta chance de serem aprovadas pelo Congresso, disse Meirelles. O limite de gastos já passou pela Câmara dos Deputados e a reforma da previdência será apresentada antes do final do ano, segundo afirmou o presidente da República, Michel Temer, na semana passada.

"Antes era uma política de 'gastar mais' e agora queremos que os mercados e os investidores privados tenham um papel maior na economia, até para permitir uma melhor alocação de recursos", disse Meirelles aos participantes de um evento patrocinado pelo Banco Bradesco em Nova Iorque.

A vitória de Trump provocou um choque nos mercados emergentes, com as moedas do México e do Brasil perdendo mais de 10 por cento de seu valor e o preço dos títulos locais despencado.

Antes de qualquer reforma ser aprovada, os prêmios de risco do Brasil aumentarão na sequência da eleição de Trump, mas a volatilidade do mercado complica quaisquer outras previsões, disse Meirelles.

Ele observou que as previsões para o crescimento econômico do próximo ano poderiam ser revisadas para baixo, mas se recusou a dar números. O governo estima atualmente o crescimento de 1,6 por cento em 2017, depois dois anos de forte recessão.

 
O ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, participa de fórum de economia e política em São Paulo, no Brasil
30/09/2016
REUTERS/Paulo Whitaker