Itamaraty teme protecionismo de Trump, mas adota a política de "esperar para ver"

quinta-feira, 17 de novembro de 2016 17:14 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Pouco mais de uma semana depois da eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, o governo brasileiro não tem ainda indícios do que deve ser a política do republicano para a América Latina e teme uma nova onda de protecionismo, mas mantém a política de "esperar para ver", disseram à Reuters fontes diplomáticas.

Em um documento preparado para o ministro das Relações Exteriores, José Serra, diplomatas apontaram como cenário mais provável com uma vitória de Trump um aumento do nacionalismo norte-americano, com crescimento do protecionismo, aumento em investimentos em defesa e maior dificuldade em programas de transferência de tecnologia, já notoriamente complicados.

Um diplomata ouvido pela Reuters, no entanto, lembra que o Brasil não tem qualquer tipo de acordo de livre-comércio com os Estados Unidos. A atual administração ensaiava tentar aumentar parcerias, o que deve ser dificultado agora.

"Trump vem com uma agenda nativista, como eles dizem. Isso não é bom para um país como o Brasil, que depende muito das exportações para os Estados Unidos, mas é ainda pior para outros países, como China e México", disse um diplomata de alto escalão.

Cerca de 30 por cento das exportações atuais brasileiras vão para os Estados Unidos. O percentual já foi maior, mas a política dos governos petistas de ampliar o leque de parceiros diminuiu um pouco a dependência.

Ainda assim, avalia um outro diplomata, o Brasil não está no radar imediato de Trump, o que pode não ser ruim. Permitiria manter a relação como está, mesmo que sem grandes avanços.

Uma perda, no entanto, o Brasil pode contar: a aproximação feita recentemente na área de defesa, inclusive com um encontro entre representantes da indústria dos EUA e brasileira, em Brasília, dificilmente será levada adiante.

"Já existe uma enorme dificuldade da parte do Congresso americano em autorizar a transferência de tecnologia. Isso estava sendo trabalhado, mas agora dificilmente irá adiante", disse um outro diplomata.   Continuação...

 
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