Demanda por energia vacilante confirma atividade econômica fraca no 4º tri

sexta-feira, 18 de novembro de 2016 16:24 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Os dados de consumo de energia elétrica do Brasil até o início de novembro ainda não apontam para uma retomada da economia no último trimestre, confirmando expectativas de economistas que descartaram um possível início de recuperação econômica do país ainda em 2016.

Os sinais de fraqueza na demanda por energia, fortemente associada ao ritmo da economia, têm garantido uma estabilidade nos preços da eletricidade no mercado livre, onde grandes clientes, como indústrias e shoppings, negociam contratos de energia diretamente com geradores ou com comercializadores.

A indústria, principal participante do mercado livre de energia, responde por cerca de 36 por cento da demanda por eletricidade no Brasil, enquanto as residências são quase 30 por cento e o comércio responde por uma fatia de quase 20 por cento.

Com o setor industrial ainda afetado pela recessão econômica, o consumo total de energia no país até o final de outubro acumula alta de apenas 0,8 por cento ante 2015, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Mas desde setembro tem havido quedas mensais na comparação anual.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) previu nesta sexta-feira que a carga de energia em novembro deverá cair 1,5 por cento ante o mesmo mês de 2015.

O consumo de energia deverá fechar o ano estável ou com alta de até 1 por cento ante 2015, segundo projeção do presidente da comercializadora Comerc, Cristopher Vlavianos, a mesma avaliação de antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que gerou em alguns a expectativa de que pudesse haver uma retomada mais rápida da atividade.

"Não tem mais aquela ilusão de recuperação rápida, talvez seja um pouco mais lenta do que gostaríamos", afirmou o executivo à Reuters.

"Até teve uma recuperação de consumo nas residências, mas a indústria continua desabando. Não teve recuperação industrial e comercial neste ano."   Continuação...