Câmbio dá alívio às empresas no 3º tri, mas resultados decepcionam expectativa de retomada da economia

sexta-feira, 18 de novembro de 2016 17:33 BRST
 

Por Brad Haynes e Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O fraco resultado das empresas brasileiras no terceiro trimestre indica que a espera por uma recuperação econômica pode se esticar até 2017, apesar de alguns setores reportarem lucros sólidos devido à queda do custo da dívida e ao câmbio mais estável.

O principal índice de ações da Bovespa avançou quase 40 por cento em 2016, muito embora o país atravesse a pior recessão desde 1930. Investidores receberam bem a agenda de reformas fiscais do novo governo de Michel Temer e preparam-se para a retomada da economia.

Mesmo que a volta da confiança do investidor tenha reduzido o custo de financiamento de muitas companhias, ajudando-as a entregar resultados, a temporada de balanços encerrada nesta semana sugere que o otimismo ainda não se traduziu em mais atividade econômica.

A receita de empresas fora do setor financeiro listadas no Ibovespa nos três primeiros trimestres de 2016 não acompanhou o ritmo da inflação anual, conforme análise feita pela Reuters com base em documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Cerca de metade das companhias anunciaram lucro líquido mais forte, ajudadas na maioria dos casos pela redução de despesas financeiras com custos de hedge e financiamento mais barato e por venda de ativos.

Mas a eleição do magnata Donald Trump à presidência dos Estados Unidos na semana passada coloca em xeque a conjuntura que favoreceu o desempenho financeiro das empresas nos últimos meses. O real se desvalorizou 8 por cento em relação ao dólar nas últimas sete sessões, com a vitória de Trump trazendo turbulências aos mercados da América Latina e reforçando apostas em uma elevação da taxa de juro dos EUA em breve.

Se confirmadas as expectativas, as companhias brasileiras podem não mais encontrar sustentação no custo mais baixo da dívida e das operações de hedge.

"A retomada até agora tem sido realmente influenciada pelo câmbio e pelo custo mais baixo de financiamento", afirmou Andrew Campbell, diretor de estratégia em ações do Credit Suisse. "Mas para ter uma tendência mais sustentável ou estabelecer uma plena recuperação são necessárias contribuições de mais setores da economia", completou.   Continuação...