Cemig avalia vender fatia na Aliança Energia; pode obter R$2 bi, dizem fontes

sexta-feira, 18 de novembro de 2016 19:20 BRST
 

Por Tatiana Bautzer e Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica estatal mineira Cemig estuda vender sua fatia na Aliança Energia, uma empresa de geração na qual é sócia da mineradora Vale, em um negócio que poderia levantar em torno de 2 bilhões de reais, afirmaram à Reuters três fontes com conhecimento do assunto.

A Cemig quer negociar seus 45 por cento na geradora, mas a Vale pretende manter sua fatia majoritária, de acordo com as fontes, que falaram na condição de anonimato. O banco de investimento Itaú BBA vai assessorar a Cemig no processo.

A Vale não tem interesse em sair da Aliança porque a companhia utiliza a energia gerada pela empresa e teria custos maiores caso fosse comprar a eletricidade no mercado. Isso porque a legislação concede algumas isenções de encargos para empresas que geram a própria energia, os chamados autoprodutores.

A Aliança, com sede em Belo Horizonte, possui sete hidrelétricas no Estado e um parque eólico no Nordeste. Os ativos somam 1,2 gigawatts em capacidade instalada e geram à companhia uma receita anual de cerca de 1 bilhão de reais.

A Cemig, que tem sofrido com uma dívida que alcançou 13,6 bilhões de reais no último trimestre, já anunciou que pretende vender ativos para reduzir os débitos.

Em teleconferência realizada nesta semana, o diretor de Relações com Investidores da elétrica mineira, Fabiano Maia Pereira, disse que a estratégia é vender ativos não atrelados ao negócio principal da empresa ou nos quais ela não possua o controle. "Ativos que não são core ou em que nós não temos uma governança que gere valor", afirmou.

A companhia também já afirmou em diversas ocasiões que busca um novo sócio para a Light, na qual é controladora, conforme um grupo de sócios financeiros da empresa pretende exercer a opção de venda de suas participações.

Procurada, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, disse que não iria comentar. Cemig e Itaú BBA também não comentaram.

(Edição de Roberto Samora)