Crédito caro e confiança reduzem projeção de crescimento do PIB a 1% em 2017, diz Fazenda

segunda-feira, 21 de novembro de 2016 18:37 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, afirmou nesta segunda-feira que o crédito ainda caro, sobretudo para as empresas, e a confiança ainda em recuperação estão afetando o crescimento econômico do Brasil, cuja projeção oficial de expansão em 2017 recuou a 1 por cento, ante 1,6 por cento .

Para 2016, a projeção do ministério também piorou, com retração de 3,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), sobre previsão anterior de contração de 3 por cento.

Kanczuk, que acabou de assumir o cargo, disse que a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos deve reduzir o crescimento do comércio internacional e elevar a inflação na maior economia do mundo e, assim, os juros naquele país. Mas para a economia brasileira os efeitos desse movimento ainda são "ambíguos".

Apesar do cenário econômico mais adverso, o secretário afirmou que o governo tem condições de cumprir a meta de déficit primário de 139 bilhões de reais em 2017. Ele ressaltou que as receitas dependem não apenas do comportamento do PIB, mas também do câmbio, inflação e massa salarial.

"A conclusão de que um menor crescimento do PIB vai implicar menos receita é prematura. A gente tem que usar todos os itens necessários para conseguir projetar receita da melhor forma possível", afirmou Kanczuk em coletiva de imprensa, após ser bastante questionado a respeito.

Ele destacou ainda que o governo vai fazer essa conta no fim do primeiro trimestre do ano que vem, em conformidade com a legislação. "Até lá tem muita água sobre a ponte", acrescentou.

Segundo o secretário, a expectativa agora é de que o PIB do último trimestre de 2016 mostre crescimento zero, passando ao campo positivo no primeiro trimestre de 2017.

Sobre a estimativa mais baixa para o PIB no próximo ano, ele afirmou que o número contempla riscos balanceados, representando a melhor projeção que a Fazenda pode fazer no momento.   Continuação...