Distribuidora de energia Light apresenta maiores riscos financeiros, diz Aneel

terça-feira, 22 de novembro de 2016 16:40 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A distribuidora de energia elétrica Light, que atende a região metropolitana do Rio de Janeiro, tem apresentado números cada vez piores, o que aumenta os riscos de a empresa não conseguir cumprir seus planos de investimento e obrigações financeiras, afirma um relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) visto pela Reuters.

Controlada pela mineira Cemig, a Light também possui ativos em geração, mas tem enfrentado dificuldades financeiras crescentes, com elevado endividamento e um custo da dívida em alta, principalmente devido ao baixo desempenho de seu negócio de distribuição de eletricidade.

A empresa não consegue receber por cerca de 42 por cento da energia entregue a clientes de baixa tensão devido a perdas não-técnicas --geralmente causadas por "gatos" (furtos) na rede, principalmente em regiões das favelas fluminenses, nas quais muitas vezes os técnicos da companhia mal chegam a entrar, temendo represálias.

A situação é ainda mais difícil de ser administrada em um momento em que o Estado do Rio de Janeiro enfrenta uma severa crise fiscal que levou o governador Luiz Fernando Pezão a anunciar um pacote de medidas para elevar a receita que inclui aumento de impostos e o fim de programas sociais.

A dívida bruta da Light atingiu no final de setembro 6,8 bilhões de reais, alta de 0,4 por cento ante o fechamento do trimestre anterior.

A relação entre a dívida líquida e a geração de caixa (Ebitda) da companhia fechou o último trimestre em 3,85 vezes, ante um compromisso da companhia com seus credores de manter o indicador em até 4 vezes no período. No trimestre encerrado em dezembro, os compromissos financeiros da elétrica são de manter o índice em até 3,75 vezes.

"Verifica-se que a empresa não está sendo capaz de corrigir a rota de piora de seus indicadores de sustentabilidade... que já se encontram acima do limite máximo recomendado", afirma a fiscalização da Aneel.

"Em outras palavras, a geração operacional bruta de caixa tem se tornado cada vez mais insuficiente para honrar todas as obrigações e investimentos, aumentando o risco de descumprimento de compromissos financeiros", conclui o relatório, com data de 18 de novembro.   Continuação...