COLUNA-Corte na carne do BB mostra que lições do passado não foram aprendidas

terça-feira, 22 de novembro de 2016 18:45 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Quando o governo brasileiro levou os bancos federais a expandir o crédito para evitar que a economia do país fosse contaminada pelos efeitos da crise financeira internacional de 2008, os primeiros resultados da campanha suscitaram aplausos.

Diferente do que previam os mais pessimistas, o Brasil passou quase incólume por dois anos de recessão global e, de quebra, teve em 2010 o maior crescimento do PIB em 25 anos.

Desde então, a participação conjunta de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no crédito do sistema financeiro subiu de 38 para 57 por cento.

Não foi surpresa, portanto, que uma nova dose generosa do mesmo remédio tenha sido aplicada a partir de 2012, quando a economia voltou a dar sinais de estagnação.

Agora, o anúncio do BB no domingo de um plano para cortar custos, incluindo oferta de aposentadoria antecipada a quase 20 por cento dos empregados e fechamento ou redução de quase 800 agências, dá relevo à lição elementar observada em economias mais maduras: os riscos do uso de bancos públicos como instrumento de política econômica não compensam os benefícios potenciais.

No caso, as consequências macroeconômicas são amplamente conhecidas, como o aumento da inflação. Mas agora o BB começa a explicitar o tamanho do estrago dessa política para os próprios bancos.

Somente com o fechamento e redução de agências, o BB vai encolher quase o equivalente a um HSBC, quarto maior banco privado no país antes de ter sido comprado pelo Bradesco no ano passado.

Vale notar que o BB foi dos três bancos federais o que obedeceu com menos empenho a ordem do controlador de expandir empréstimos. De 2008 para cá, a carteira de crédito do BB cresceu praticamente 200 por cento.   Continuação...