Eletronuclear vai à China buscar parceiros para retomar usina nuclear de Angra 3

quarta-feira, 23 de novembro de 2016 13:55 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Eletronuclear, subsidiária da estatal Eletrobras responsável pela construção da usina nuclear de Angra 3, irá à China em dezembro para buscar parceiros que viabilizem a retomada das obras do empreendimento, afirmou nesta quarta-feira o presidente interino da companhia, Bruno Barretto.

A usina de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, já consumiu 8,6 bilhões de reais em investimentos, mas ainda não tem data para ficar pronta, o que pode acontecer somente após 2022.

As obras foram paralisadas no final do ano passado, quando as empreiteiras responsáveis desistiram do projeto e alegaram atrasos de pagamentos pela Eletronuclear. Na época, as empresas foram também acusadas de cartel na contratação dos serviços, o que é alvo de investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

De acordo com Barretto, o objetivo da Eletronuclear é encontrar empresas estrangeiras dispostas a assumir os contratos de construção da planta, que tem cerca de 60 por cento das obras já realizadas.

Ele disse que a companhia tem conversado com grandes agentes internacionais do setor nuclear, mas os chineses têm dado espaço para o avanço das tratativas.

As negociações deverão ter continuidade em dezembro com a ida de Barretto à China. Ele disse que a viagem deverá envolver conversas com as estatais China National Nuclear Corporation (CNNC) e State Nuclear Power Technology Company (SNPTC), além de bancos de fomento do país,

"Essa visita à China é fruto de conversas que vêm de meses", disse Barreto durante um evento sobre investimentos chineses em infraestrutura no Brasil.

Ele ressaltou, no entanto, que a legislação brasileira proíbe que empresas estrangeiras ou privadas operem usinas nucleares no Brasil e que esse modelo está mantido. Assim, as parcerias a serem negociadas para a usina deverão se restringir aos contratos de construção do empreendimento.

Um ex-presidente da Eletronuclear Othon Pinheiro é réu na Justiça Federal junto a mais de uma dezena de pessoas por acusações de corrupção nos contratos de Angra 3.   Continuação...