Preços de milho têm recuo incomum no país no 4º tri e dão alívio para granjas

quarta-feira, 23 de novembro de 2016 15:21 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços do milho no mercado doméstico brasileiro registram forte queda neste último trimestre, em um movimento incomum para um período de entressafra, devido a fortes importações do Mercosul e reversão de exportações, beneficiando granjas de aves e suínos que precisam ir ao mercado em busca do insumo da ração.

Desde 2012, os preços da commodity sempre sobem no período entre outubro e dezembro, devido a uma escassez natural do produto após o encerramento da colheita de inverno e antes do início da colheita de verão, que ocorre a partir de janeiro ou fevereiro.

Em 2016, o movimento é diferente. O Indicador de Esalq/BM&FBovespa, que serve de referência para os contratos futuros de milho na bolsa brasileira, atingiu na terça-feira o menor valor desde janeiro e acumula perdas de 30 por cento desde uma máxima histórica registrada em junho.

Após um repique no início de outubro, as perdas somam 14 por cento desde então, para 37,59 reais por saca.

Nos últimos meses, diversos frigoríficos de pequeno e até grande porte fecharam as portas ou entraram em recuperação judicial no interior do Paraná, São Paulo e Minas Gerais por crise financeira.

Segundo analistas, uma conjunção de fatores vem arrefecendo os preços do milho, entre eles uma queda nas vendas do cereal para o exterior.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostraram que o ritmo de embarques de milho em novembro atingiu até o momento 42 mil toneladas por dia, queda de quase 24 por cento ante outubro e recuo de 82 por cento ante novembro de 2015.

"Há uma retração nas exportações... O volume que está descendo aos portos nos últimos dois meses está bem menor", disse o analista Juliano Cunha, da consultoria Céleres.   Continuação...