Dólar sobe 1,12% e encosta em R$3,40, com temor de juros maiores nos EUA e sem BC brasileiro

quarta-feira, 23 de novembro de 2016 18:22 BRST
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta superior a 1 por cento nesta quarta-feira, se aproximando do patamar de 3,40 reais, movimento sustentado por indicadores vigorosos da economia dos Estados Unidos que reforçaram a percepção de que será necessário aumentar os juros no país e com a ausência do Banco Central brasileiro no mercado cambial, pelo menos por enquanto.

O dólar fechou em elevação de 1,12%, a 3,3940 reais na venda, depois de bater 3,4210 reais na máxima do dia, com salto de 1,92 por cento.

Nesta sessão, foi divulgado, entre outros, que as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos subiram 4,8 por cento em outubro, muito acima da previsão em pesquisa Reuters de avanço de 1,5 por cento, e que o índice de confiança do consumidor medido pela Universidade de Michigan foi a 93,8 em novembro, de 91,6 previsto em pesquisa Reuters.

Para o encontro de dezembro do Fed, as chances estavam praticamente em 100 por cento de elevação na taxa do país, segundo o FedWatch.

No exterior, o dólar subia ante outras divisas de emergentes, como os pesos mexicano e chileno, no final da tarde.

"Os dados fortalecem a leitura de que os juros terão que subir nos Estados Unidos", comentou o operador de câmbio de uma corretora doméstica.

Ajudou também na valorização do dólar o fato de o BC brasileiro ter ficado de fora deste pregão. Na sessão passada, a autoridade encerrou a rolagem dos swaps tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- que vencem no dia 1º de dezembro e, à noite, não anunciou leilões para esta sessão.

A atuação do BC veio após a surpreendente vitória de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, nas eleições do dia 8 passado, que alimentou forte onda de aversão ao risco nos mercados globais com o temor de que sua política econômica possa ser inflacionária e pressionar o Federal Reserve, banco central do país, a elevar ainda mais os juros.   Continuação...

 
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