Reguladores adotarão algumas medidas restritivas à venda da Liquigás, diz ANP

quinta-feira, 24 de novembro de 2016 14:43 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A ANP e o Cade terão de adotar inevitavelmente algumas medidas restritivas à aquisição da Liquigás pela Ultragaz, em razão do porte e da abrangência de atuação das duas gigantes do setor de gás de cozinha, disse nesta quinta-feira o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Aurélio Amaral.

As duas empresas têm participações de mercado relevantes que somadas representam uma fatia de cerca de 45 por cento no setor de gás liquefeito de petróleo (GLP).

A operação de venda da Liquigás, da Petrobras, para a Ultragaz, que pertence ao grupo Ultra, foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras em um negócio de 2,8 bilhões de reais, anunciado na semana passada.

A concretização da venda depende da análise e aprovação dos órgãos reguladores e a palavra final caberá ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A previsão da Petrobras é que a operação seja concluída até o fim do ano que vem.

De acordo com Amaral, o estudo levará "algum tempo" por se tratar de uma análise minuciosa que considera várias questões, tais como concentração de mercado, impactos ao consumidor e avaliação logística envolvendo portos, bases e pontos e distribuição, entre outras.

Numa operação desse tamanho, disse o diretor da ANP, "algum tipo de restrição vai haver porque tem alguns mercados que a participação conjunta das duas companhias, só juntando uma a outra, chega a 60 por cento".

"Vamos com o Cade olhar essas informações e sugerir os pontos e preocupação da operação", adicionou ele, durante evento do setor no Rio de Janeiro.

Um outro desafio da operação será também troca da identidade visual dos botijões de gás, que são em sua maioria identificados com a marca e as cores do distribuidor do GLP. Esse obrigação logística também será objeto de análise de Cade e ANP.

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