Cetip acredita em aval do Cade para união com BMF&Bovespa até fevereiro

segunda-feira, 28 de novembro de 2016 16:48 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Cetip está confiante que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprove a união com a BM&FBovespa até fevereiro, mas não sem antes impor "remédios comportamentais", disse nesta segunda-feira o presidente da central depositária de ativos, Gilson Finkelsztain.

A expectativa pela conclusão da compra da Cetip pela BM&FBovespa anunciada em abril, em negócio avaliado em cerca de 12 bilhões de reais, tem crescido desde que do órgão antitruste classificou em outubro o caso como complexo.

Na ocasião, o Cade afirmou que não seria necessária uma extensão do prazo para análise da operação, que deve se encerrar em fevereiro. Se for necessário mais prazo, a decisão final pode ficar para maio.

Segundo Finkelsztain, em qualquer dessas situações, não há riscos de acionamento da cláusula firmada entre as empresas, pela qual a BM&FBovespa teria que pagar uma multa de cerca de 250 milhões de reais para a Cetip, caso a fusão não acontecesse.

"Estamos cientes de que o Cade pode impor alguns remédios comportamentais para aprovar o negócio", disse o executivo, referindo-se a prováveis exigências do órgão, inclusive de governança, para facilitar a participação de eventuais concorrentes nos mercados em que as empresas atuam.

Mas Finkelsztain considera improvável que o Cade estabeleça regras que interfiram na política de preços das empresas para serviços de transação e custódia, por exemplo.

"Isso só aconteceria se o preço fosse um inibidor para o desenvolvimento do mercado, mas não acho que esse seja o caso", disse o executivo, que também considerou improvável que o Cade condicione a aprovação do negócio à alienação de ativos.

O presidente da Cetip revelou ainda que algumas questões envolvendo o futuro do negócio combinado, como as sinergias de custo, a estrutura hierárquica e até o nome do grupo, estão sendo discutidas, boa parte entre ele e o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto, mas ainda não houve definição.   Continuação...