Premiê May liga para Trump para fortalecer laços apesar de aparente desdém de republicano

terça-feira, 29 de novembro de 2016 17:06 BRST
 

LONDRES (Reuters) - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, e o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, concordaram nesta terça-feira que deveriam trabalhar para construir relações durante a transição de governo nos EUA e se encontrar na primeira oportunidade.

O Reino Unido valoriza há muito tempo seu "relacionamento especial" com os EUA, que é um dos pilares centrais de sua política externa, mas em Londres se tem especulado muito sobre como os laços irão se desenrolar com Trump, após gestos do republicano terem sido percebidos como de desprezo.

"A primeira-ministra ligou para o presidente eleito dos Estados Unidos nesta tarde como parte do estabelecimento de um diálogo regular entre os dois", disse o governo britânico em comunicado.

"Eles debateram como os planos de transição do presidente eleito estão progredindo e concordaram que suas equipes deveriam continuar a construir relações próximas durante este período, inclusive com uma reunião de seus conselheiros de Segurança Nacional nos Estados Unidos antes do Natal", disse o gabinete da premiê.

Trump causou consternação em Londres na semana passada ao sugerir que Nigel Farage, do opositor Partido de Independência do Reino Unido (Ukip, na sigla em inglês), defensor ferrenho da desfiliação britânica da União Europeia e crítico virulento do governista Partido Conservador, deveria ser o embaixador do Reino Unido em Washington.

O governo respondeu que a vaga não está aberta, mas a sugestão, uma quebra de protocolo diplomático inédita, foi constrangedora para Downing Street.      

Após sua eleição, Trump conversou com nove outros líderes mundiais antes de falar com May, o que também provocou celeuma na capital inglesa.

No telefonema desta terça-feira, os dois líderes também discutiram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), concordando a respeito de sua importância e sobre a necessidade de mais membros da aliança cumprirem a meta de gastar 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) com defesa.

O Reino Unido já cumpre essa meta, mas Trump vem se queixando reiteradamente de que outros países ficam a dever, despertado temores em outras nações integrantes da Otan sobre suas intenções em relação à organização.         

(Por Estelle Shirbon)