Recessão no Brasil aprofunda no 3º tri e coloca 2017 em risco

quarta-feira, 30 de novembro de 2016 11:27 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Patricia Duarte

RIO DE JANEIRO/ SÃO PAULO (Reuters) - A recessão brasileira aprofundou-se no terceiro trimestre deste ano, com destaque para a forte queda dos investimentos e consumo, quadro que dificulta ainda mais a recuperação da atividade esperada para 2017 em meio ao aumento do desemprego e queda da confiança.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 0,8 por cento no trimestre passado sobre os três meses anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, marcando o sétimo trimestre seguido de contração e com a maior retração no ano nesta base de comparação.

Sobre o terceiro trimestre de 2015, o PIB despencou 2,9 por cento. Pesquisa da Reuters apontava que a economia teria queda de 0,8 por cento entre julho e setembro na comparação com o trimestre anterior e de 3,2 por cento sobre o terceiro trimestre de 2015.

"Os números que já saíram no final deste ano não alimentam muito otimismo, a confiança dá sinais de que pode cair e reflete certa decepção em relação à demora da economia de dar sinais de retomada", afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. "Não me surpreenderia se voltasse a mostrar quadro de maior deterioração", acrescentou ele.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, voltou a despencar no trimestre passado, após ter subido no segundo trimestre pela primeira vez depois de recuar por 10 vezes consecutivas. Segundo o IBGE, a queda entre julho e setembro foi de 3,1 por cento, a mais acentuada desde o último trimestre de 2015 (-4,4 por cento).

O consumo das famílias caiu 0,6 por cento no terceiro trimestre sobre o anterior, em meio à dificuldade das pessoas em reduzirem suas dívidas com juros e desemprego elevados e também marcando o sétimo trimestre de queda seguido.

Os serviços, por sua vez, recuaram 0,6 por cento no período, também a sétima retração seguida.

Esse cenário tem abalado a confiança dos agentes econômicos, com destaque para a do consumidor que, neste mês, caiu pela primeira vez desde que o presidente Michel Temer assumiu a Presidência, em maio.   Continuação...

 
Mulher observa preços em mercado do Rio de Janeiro. 21/01/2016 REUTERS/Pilar Olivares