Enel leva Celg-D com ágio de 28% e anima governo para privatizações no setor elétrico

quarta-feira, 30 de novembro de 2016 16:06 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica italiana Enel arrematou com um ágio de 28 por cento a distribuidora de energia elétrica goiana Celg-D, controlada pela Eletrobras, em leilão nesta quarta-feira que marcou a primeira privatização do governo do presidente Michel Temer no setor elétrico.

A companhia, a única a apresentar lance no certame, pagará 2,187 bilhões de reais por cerca de 95 por cento da Celg-D e ainda assumirá 2,656 bilhões de reais em dívidas e outras obrigações.

O lance da Enel, ante um preço mínimo de 1,7 bilhão de reais, surpreendeu o mercado e animou autoridades federais para uma série de novas vendas de ativos que a Eletrobras pretende realizar até o final de 2017.

Em agosto, o governo havia tentado licitar a Celg-D por um preço mínimo de 2,8 bilhões de reais, mas o valor foi considerado elevado à época e não atraiu interessados.

Com o sucesso da nova tentativa, o Brasil marca um retorno às privatizações como forma de atrair investimentos para o setor elétrico mais de 10 anos após o início de um primeiro ciclo de vendas de empresas públicas de eletricidade, realizado pelo governo Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 2000.

"Esse leilão é o primeiro de uma série que o governo federal planeja... é um marco importante e um balizador desse processo", afirmou à Reuters o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) André Pepitone.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, disse a jornalistas que o governo Temer não terá reservas para realizar essas vendas de ativos, que muitas vezes eram encaradas como um tabu pela gestão da petista Dilma Rousseff, afastada no final de agosto por um processo de impeachment.

Já foi decidido que a Eletrobras venderá até o final de 2017 mais seis distribuidoras de energia que atuam no Norte e Nordeste.   Continuação...