Decisão da Opep e câmbio podem estimular Petrobras a subir preços, dizem analistas

quarta-feira, 30 de novembro de 2016 16:40 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A alta nas cotações do petróleo, após um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para cortar produção, e do dólar, na esteira da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, deverão ser argumentos fortes para a Petrobras elevar os preços da gasolina e do diesel no Brasil, disseram especialistas nesta quarta-feira.

A estatal anunciou recentemente que irá fazer revisões periódicas nos preços que cobra por estes combustíveis, para alinhá-los aos patamares internacionais e para garantir competitividade com concorrentes que importam os produtos para vender no mercado nacional.

Desde o último anúncio da Petrobras, em 8 de novembro, quando o preço da gasolina foi cortado em 3,1 por cento e o do diesel em 10,4 por cento, as cotações do dólar e do petróleo Brent dispararam.

Neste período, até a tarde desta quarta-feira, o dólar acumulava alta de cerca de 7 por cento. O anúncio da Petrobras ocorreu um dia antes do surpreendente resultado da eleição norte-americana, que agitou os mercados de câmbio ao redor do planeta e provocou desvalorização da moeda brasileira.

Já os preços do petróleo foram catapultados nas últimas horas por uma decisão da Opep para limitar seu bombeamento, o primeiro corte do gênero dentro do cartel desde 2008.

No acumulado desde 8 de novembro até a tarde desta quarta, os ganhos do Brent chegam a cerca de 8,5 por cento, sendo que o salto da atual sessão chegou a mais 8 por cento.

"Se a Petrobras quiser manter o mesmo prêmio (que tinha quando anunciou seu último ajuste de preços), teria que aumentar gasolina e diesel por volta de 16 por cento, numa média ponderada desses dois combustíveis", disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, tomando como parâmetro que os atuais patamares do petróleo e de câmbio se mantenham até a próxima decisão da estatal.

O analista destacou que a Petrobras pode decidir reduzir suas margens na comercialização de combustíveis, mas assinalou que "de qualquer maneira, em dezembro, vai ser difícil a Petrobras não dar aumento para gasolina e diesel".   Continuação...