30 de Novembro de 2016 / às 22:22 / em um ano

BC reduz Selic a 13,75%, cita ambiente externo e abre espaço para cortes maiores

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 13,75 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada, indicando que seus próximos passos levarão em conta o cenário externo, visto hoje como “especialmente incerto”, e a atividade econômica brasileira.

Preparando o terreno para intensificar os cortes daqui para frente, o BC avaliou positivamente o andamento das medidas de ajuste fiscal até agora, também ressaltando ver “sinais de desinflação mais difundida”.

“O Copom destaca que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada. Essa intensificação do processo de desinflação depende de ambiente externo adequado”, destacou o BC em comunicado.

Em pesquisa Reuters, 54 dos 64 economistas consultados esperavam corte de 0,25 ponto percentual nos juros, enquanto o restante previa redução maior, de 0,50 ponto.

O BC também informou que “entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e 2018, é compatível com um processo gradual de flexibilização monetária”.

O BC começou o atual ciclo de relaxamento monetário em outubro, ao reduzir a Selic também em 0,25 ponto percentual. Desde lá, vinha indicando a inflação de serviços, ainda alta, como motivo para cautela no corte de juros. Agora, com o dólar perto das máximas em cinco meses, economistas diziam não ver razão para que o BC mudasse de postura.

Sem citar explicitamente a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos neste mês, o BC disse que o aumento da volatilidade dos preços dos ativos indica o possível fim do “interregno benigno para economias emergentes”.

A surpreendente vitória do republicano alimentou forte onda de aversão ao risco que varreu os mercados financeiros, com temor de que sua política econômica seja expansionista e force o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar ainda mais os juros.

“Há elevada probabilidade de retomada do processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos no curto prazo e incertezas quanto ao rumo de sua política econômica”, disse o BC.

Por outro lado, avaliou que o processo de aprovação das reformas fiscais tem sido positivo, que a inflação tem se mostrado mais favorável no curto prazo, enquanto a atividade econômica mais fraca e o elevado nível de ociosidade da economia podem produzir desinflação mais rápida que as suas projeções.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do terceiro trimestre encolheu 0,8 por cento, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, com destaque para a forte queda dos investimentos e consumo, quadro que dificulta ainda mais a recuperação da atividade esperada para 2017 em meio ao aumento do desemprego e queda da confiança.

“Acreditamos que o comunicado, assim, trouxe tom mais ‘dovish’, o que não impede continuidade do ciclo de corte na Selic no ritmo de 0,25 ponto percentual, mas desloca as chances para corte de 0,50 ponto no Copom de janeiro”, afirmou em nota o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves.

O BC também passou a ver a inflação pelo cenário de referência a um patamar em torno de 4,4 por cento em 2017, ligeiramente acima dos 4,3 por cento até então, e em torno de 3,6 por cento em 2018, abaixo dos 3,9 por cento da última reunião do Copom, em outubro.

“Colocando tudo na balança, a maneira como retratou os progressos na queda da inflação, atividade mais fraca, fiscal e reformas caminhando bem, sugere que o espaço para subir o ritmo de corte para 0,50 ponto percentual em janeiro cresceu”, afirmou o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall.

O sócio da consultoria Tendências e ex-presidente do BC Gustavo Loyola também acredita num corte maior da Selic no início do ano que vem, perspectiva que só mudaria diante de uma forte turbulência política ou externa.

“Se até lá a votação da PEC do teto for concluída e o Donald Trump vier numa versão mais light, acho que se abre uma janela de oportunidade para acelerar o ritmo de queda dos juros”, disse.

Com reportagem adicional de Luiz Gerbelli

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