Light negocia revisão de tarifa para enfrentar crise e "eletrotraficantes" no Rio

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016 15:19 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Light, distribuidora de energia que atende a região metropolitana do Rio de Janeiro, tem pedido ao órgão regulador do setor que reveja suas tarifas para considerar um cenário desafiador gerado pela forte crise da economia brasileira e do Estado fluminense e por furtos em áreas dominadas por traficantes e milícias.

A elétrica, controlada pela mineira Cemig, disse à Reuters que seus níveis de perdas não técnicas --causadas por furtos, os chamados "gatos"-- são alvo de negociação com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Cerca de 23 por cento da energia distribuída pela Light não é faturada porque é perdida com os furtos na rede. As perdas representam 42 por cento do mercado de baixa tensão da companhia.

A Aneel já disse que poderá reavaliar as tarifas se a Light assinar um aditivo contratual que prevê exigências mais duras em relação à qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

No cálculo das tarifas, a agência autoriza que certo nível de perdas seja custeado pelos consumidores de acordo com as características da área atendida por cada distribuidora, mas o que ultrapassa essa meta resulta em prejuízos para as elétricas.

"Esse tema está sendo discutido no âmbito do processo negocial de assinatura do aditivo do contrato de concessão... a Aneel utiliza um modelo que leva em consideração as condições socioeconômicas de cada concessão", explicou a Light em nota, após questionamentos da Reuters.

Recente documento da Light descreve detalhes do que chamou de práticas de "eletrotraficantes", com foto de criminosos anunciando serviços de ligação ilegal de eletricidade.

Na última semana, um diretor da Light fez apresentação a especialistas em que defendeu que a Aneel deveria dar "um tratamento mais realista" à violencia no Rio e listou diversas dificuldades enfrentadas em suas operações, como técnicos que se viram repentinamento no meio de tiroteios e o domínio de traficantes e milícias em áreas inteiras.   Continuação...