Mercosul deve decidir pela suspensão da Venezuela do bloco, dizem fontes brasileiras

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016 19:35 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O Mercosul deve decidir pela suspensão da Venezuela do bloco por não ter cumprido os requisitos de adesão dentro do prazo, disseram à Reuters nesta quinta-feira fontes brasileiras ligadas às negociações.

O país tinha até 1º de dezembro, quando completa quatro anos no bloco, para incorporar a sua legislação todas as resoluções do Mercosul.

"A Venezuela só não será suspensa se algo muito extraordinário acontecer... mas é muito difícil que o resultado seja outro", disse uma das fontes, que preferiu não se identificar pela sensibilidade do tema.

    Na reunião dos negociadores do Mercosul nesta quinta-feira, a Secretaria-Geral do Mercosul apresentará um relatório dos avanços da Venezuela aos protocolos do bloco.

    Um dos pontos essenciais que a Venezuela tinha se negado a aderir até agora é uma das bases do bloco, o Acordo de Complementação Econômica 18. O texto prevê, entre outros pontos, a tarifa externa comum e o programa de eliminação de barreiras tarifárias intrabloco.

    "São coisas fundamentais. Agora eles disseram que querem aderir ao ACE18, mas ficou tarde", disse a fonte.

    Recentemente, o governo brasileiro e os demais do bloco baixaram o tom das críticas políticas à Venezuela para esperar o resultado das negociações entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, intermediadas pelo Vaticano. Isso, no entanto, não teria relação com a situação do país no Mercosul, explicou a fonte.

    A decisão sobre o país deve ser tomada nesta quinta-feira, em reunião dos negociadores, e anunciada na sexta-feira em um comunicado conjunto. A Venezuela pode recorrer e abrir uma controvérsia, mas as chances de sucesso são pequenas, segundo essa fonte. "É difícil que consigam reverter uma decisão, eles não têm no que se pegar", disse.   Continuação...

 
Homem deitado embaixo de bandeira da Venezuela em Caracas.      30/11/2016          REUTERS/Ueslei Marcelino