EUA impõem multa recorde contra Deloitte Brasil por relatórios falsos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016 19:51 BRST
 

WASHINGTON/SÃO PAULO (Reuters) - A unidade brasileira da empresa de contabilidade Deloitte [DLTE.UL] vai pagar 8 milhões de dólares a autoridades dos Estados Unidos para encerrar acusações contra a empresa por emissão de relatórios de auditoria "materialmente falsos" sobre os resultados de 2010 das companhias Gol e Tele Norte Leste Participações, parte do grupo Oi.

A Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Abertas dos EUA (PCAOB, na sigla em inglês) afirmou que a multa imposta contra a Deloitte Touche Tohmatsu Auditores é a maior penalidade civil já imposta pelo órgão. Segundo o órgão, os acusados tentaram encobrir os problemas com testemunho falso e arquivos adulterados.

A PCAOB também emitiu sanções contra 12 ex-sócios e representantes da empresa por seu papel no esquema.

Além do acordo com a PCAOB, a Deloitte propôs acordo com a Comissão de Valores Mobiliários, que aceitou quantia de 5,36 milhões de reais.

Segundo a CVM, em 2012, a PCAOB "constatou que alguns dos papéis de trabalho relacionados às auditorias realizadas na Gol e na TNL estavam com data de salvamento eletrônico posterior à conclusão dos respectivos serviços prestados".

A partir disso a empresa de auditoria iniciou tratativas para fazer acordo com o órgão norte-americano e encaminhou uma "autodenúncia" ao órgão regulador dos mercados brasileiros.

As ações da Gol encerraram nesta segunda-feira em queda de 3,6 por cento e os papéis da Oi fecharam em queda de 3,7 por cento. Ambas as ações estão fora do Ibovespa, que encerrou em baixa de 0,8 por cento.

No caso da empresa da Oi, a CVM afirmou que "parcela substancial dos papéis de trabalho relativos aos trabalhos de auditoria realizados nas demonstrações financeiras da TNL não havia sido adequadamente arquivada no sistema, tendo sido mantida em CDs". A Deloitte reconheceu as práticas indevidas de inclusão posterior e alteração irregular e indevida de papéis de trabalho, afirmou a CVM.

Já no caso da Gol, segundo a autarquia, a Deloitte admitiu ter alterado dados sobre reconhecimento de receita por venda de passagens aéreas, que o sistema de reservas não capturava adequadamente o efetivo embarque de passageiros e que tomou decisão de emitir relatório de auditoria sem ressalva devido ao "entendimento de imaterialidade das deficiências".   Continuação...