BC discutiu cortar mais os juros diante da economia fraca, mostra ata do Copom

terça-feira, 6 de dezembro de 2016 10:24 BRST
 

Por Patricia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central discutiu aumentar o ritmo de cortes da taxa básica de juros na semana passada, com alguns dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) defendendo que a evolução favorável da inflação, a aprovação inicial de medidas fiscais e o ritmo fraco da economia justificariam o movimento.

No entanto, outros membros argumentaram que a evolução de "alguns componentes da inflação mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária continuava indicando pausa" e que o cenário externo ficaria mais sensível para as economias emergentes.

"Esses mesmos membros ponderaram, entretanto, que é razoável esperar uma intensificação do processo de flexibilização monetária caso a atividade econômica não dê sinais mais claros de retomada, posto que nesse caso as projeções de inflação devem se reduzir", trouxe a ata do Copom divulgada nesta terça-feira.

Na semana passada, o BC decidiu dar sequência ao ciclo de afrouxamento da Selic com mais um corte de 0,25 ponto percentual, o segundo seguido, levando-a a 13,75 por cento ao ano. Citou, naquele momento, além do cenário externo e a atividade econômica no Brasil, o andamento das medidas de ajuste fiscal e desinflação mais difundida, argumentos repetidos na ata.

As avaliações feita pelo BC, no entanto, não levam em conta o revés político que o governo de Michel Temer levou na noite passada, com o afastamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) e que pode atrapalhar a votação das medidas de ajuste fiscal, em especial a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos.

Também não incluiu o aumento de preços da gasolina e do diesel nas refinarias anunciado pela Petrobras. Se o ajuste for integralmente repassado ao consumidor, o preço do diesel pode subir 5,5 por cento e da gasolina, 3,4 por cento.

Na ata, o Copom voltou a afirmar que o "processo de desinflação depende de ambiente externo adequado" mas que, no entanto, não há "relação mecânica entre o cenário externo e a política monetária".

Também afirmou que havia riscos associados ao possível fim do ambiente relativamente benigno para economias emergentes, sem citar explicitamente a vitória do republicano Donald Trump na disputa pela Presidência dos Estados Unidos, que levou a uma onda de aversão ao risco nos mercados financeiros globais.   Continuação...

 
Logo do Banco Central visto na sede, em Brasília.      15/01/2014       REUTERS/Ueslei Marcelino