Alta da gasolina deve ter impacto de até 0,13 p.p. na inflação, mas não muda política monetária

terça-feira, 6 de dezembro de 2016 12:39 BRST
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento do preço da gasolina anunciado pela Petrobras deve ter um impacto de até 0,13 ponto percentual na inflação deste ano, mas não muda o cenário para a política monetária diante da expectativa de arrefecimento do IPCA.

Com isso, a possibilidade de a inflação terminar o ano no teto da meta --de 4,5 por cento com margem de 2 pontos percentuais-- diminui, com as projeções subindo para mais perto de 7 por cento.

"Psicologicamente era importante ficar abaixo do teto depois de ter estourado no ano anterior, o Banco Central não precisaria fazer a carta (explicando os motivos)", destacou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, que passou a ver o IPCA neste ano em 6,7 por cento.

Ainda assim ele manteve a perspectiva de corte de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 13,75 por cento, na próxima reunião do BC, indo a 10 ou 10,5 por cento no final de 2017.

A Petrobras anunciou na segunda-feira o aumento do preço da gasolina em 8,1 por cento e do diesel em 9,5 por cento, em média, nas refinarias, a partir desta terça-feira.

Segundo a estatal, se o ajuste for integralmente repassado ao consumidor, a gasolina pode subir 3,4 por cento, ou 0,12 real por litro, enquanto o diesel teria alta de 5,5 por cento, ou cerca de 0,17 real por litro.

Isso, entretanto, não altera a perspectiva de afrouxamento monetário uma vez que o cenário de desinflação dos preços de forma geral se mantém.

"Por mais que esse aumento da gasolina limite a desaceleração do IPCA, não altera o quadro de que a inflação deve continuar em trajetória de arrefecimento", disse o analista da Tendências Consultoria Marcio Milan.   Continuação...

 
Funcionário abastacendo carro em posto de gasolina em São Paulo.    08/11/2016           REUTERS/Paulo Whitaker