Ilan sinaliza corte maior da Selic ao citar economia fraca

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016 12:23 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reforçou nesta quarta-feira a sinalização de que a intensidade do processo de afrouxamento monetário deve crescer em breve ao afirmar que o BC está sensível ao nível de atividade econômica e que a ancoragem das expectativas é o que abre espaço para flexibilização nos juros.

"Eu acho que em termos da ancoragem, na verdade uma reancoragem das expectativas, a gente avançou bastante. E isso vai se mostrar um benefício para frente", disse.

"Uma vez que as expectativas estão ancoradas você pode ter flexibilidade de olhar como a atividade está te afetando", completou ele, após destacar que o BC está sensível e atento à evolução da economia, que passa por recessão.

Segundo ele, a esperada estabilidade na economia não aconteceu no momento esperado e defendeu que a recuperação será "gradual" da atividade.

Pela ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na véspera, o BC revelou que discutiu aumentar o ritmo de cortes da taxa básica de juros na semana passada, com alguns dos membros do colegiado defendendo que a evolução favorável da inflação, a aprovação inicial de medidas fiscais e o ritmo fraco da economia justificariam movimento mais intenso de redução da Selic.

"Se o cenário do Copom estiver certo, se de fato caminhar na direção que se pensava, que é a direção dessas medidas que eu falei, provavelmente teríamos a intensificação da flexibilização, que seria uma continuidade dos passos atuais para um primeiro passo no ano que vem", afirmou Ilan nesta quarta.

Na quarta-feira passada, o BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, a 13,75 por cento ao ano.

Ao ser questionado sobre as incertezas no ambiente político em café da manhã com jornalistas, Ilan afirmou que é preciso ter serenidade no momento e que o importante é ver as reformas sendo aprovadas.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, concede entrevista à Reuters em Brasília 15/09/2016 REUTERS/Adriano Machado