Postergar a busca pelo centro da meta de inflação traria custos, diz Ilan

terça-feira, 13 de dezembro de 2016 11:05 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira que haveria custos em postergar a busca pelo centro da meta de inflação e reforçou que a autoridade monetária "é sensível" ao nível de atividade e que a leva em consideração nas suas decisões.

Ilan, que participou de evento em São Paulo nesta manhã, afirmou ainda que o BC continuará trabalhando com afinco e serenidade.

"Todos nós queremos juros mais baixos. Esse é também o desejo do Banco Central. A questão é como chegar lá", afirmou ele, segundo apresentação divulgada pelo BC em seu site.

O BC iniciou ciclo de afrouxamento monetário em outubro passado, cortando duas vezes a Selic em 0,25 ponto percentual, mesmo em meio à forte recessão pela qual passa o país. Hoje, a taxa básica de juros está em 13,75 por cento.

Ilan disse que o BC recebeu críticas por buscar o centro da meta "com muito afinco", mas argumentou que "é salutar atingir as metas após anos com inflação acima do centro da meta. Postergar a busca do centro da meta tem custos".

Segundo o presidente do BC, em um ambiente de expectativas de inflação ancoradas, os custos de desinflação podem ser levados em consideração na condução da política monetária.

"Um processo desinflacionário mais rápido para atingir o centro da meta já em 2016 traria um custo de desinflação muito alto em termos de atividade", afirmou ele. "É importante enfatizar que o princípio acima requer expectativas ancoradas, como é o caso agora", acrescentou.

As expectativas gerais são de que o BC irá acelerar o passo na redução de juros e cortará a Selic em 0,5 ponto em janeiro.

Com a queda recente da inflação, o mercado já passou a ver que a meta de inflação --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- pode ser cumprida em 2016, e não repetir o que aconteceu no ano passado.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, concede entrevista à Reuters em Brasília 15/09/2016 REUTERS/Adriano Machado