Produção de ração no Brasil deve ser recorde em 2017 após crise do milho

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016 12:06 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A produção e o consumo de ração animal do Brasil em 2017 deverão crescer 3,3 por cento, após uma estagnação em 2016, com produtores de aves, suínos e bovinos retomando produção com um arrefecimento dos preços do milho, a principal matéria-prima do setor, estimou nesta quarta-feira o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

O volume projetado para o próximo ano é de um recorde 69 milhões de toneladas, ante uma estimativa de 66,8 milhões de toneladas em 2016, que representou uma estagnação ante 2015.

Produtores de aves e suínos, principalmente, sofreram forte impacto da escassez de milho ao longo de 2016, em função de fortes exportações e uma quebra da safra de inverno.

Nesta situação, segundo o Sindirações, o alojamento de pintinhos e leitões manteve-se aquecido até a metade do ano, mas teve quebra brusca na segunda metade do ano, quando as empresas sentiram as margens apertadas pelo alto valor do grão e a dificuldade de aquisição.

Para os próximos meses, a previsão é de oferta mais equilibrada no país, com uma safra de inverno maior, uma perspectiva de forte plantio no período de inverno e exportações restritas, além de baixa cotação internacional.

Sem projetar valores, o Sindirações prevê que o primeiro trimestre de 2017 terá cotações do milho abaixo dos patamares dos três primeiros meses de 2016, embora ainda em patamares historicamente elevados.

"Nesse cenário, vamos ter milho para atender consumo e exportações", disse o vice-presidente-executivo da entidade, Ariovaldo Zani, em encontro com jornalistas.

No Brasil, o consumo de rações está concentrado no segmento de aves (57 por cento do total) e suínos (23 por cento). Fatias menores da produção são destinadas ao confinamento de gado e à pecuária leiteira, além de outros animais, como cães, gatos, cavalos e peixes.

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