15 de Dezembro de 2016 / às 22:21 / em 9 meses

REPERCUSSÃO-Pacote do governo pode iniciar virada de expectativas, mas há desafios

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal anunciou nesta quinta-feira uma série de ações para tentar estimular a economia, incluindo um programa de regularização tributária e medidas para fomentar a redução do custo do crédito, o que gerou elogios do setor financeiro, embora economistas e industriais ponderem dificuldades. [nL1N1EA1YB]

Veja a seguir comentários do setor financeiro e de economistas:

LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI, PRESIDENTE DO BRADESCO E CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS (CNF)

”O governo fez bem em encaminhar novas medidas para despertar no país o sentimento de que podemos vencer a crise, sair da recessão e produzir empregos. O seu conjunto demonstra harmonia e pode iniciar a virada das expectativas. A redução dos spreads foi uma questão enfatizada pelo presidente Michel Temer e o ministro (da Fazenda), Henrique Meirelles. É um anseio de toda a sociedade, inclusive de nós, do setor bancário. O ponto central, bastante elogiável, é que a discussão terá um caráter técnico, embasado, com aplicação ao longo do tempo. Apoiamos as medidas e vamos participar de forma ativa para compartilhar as soluções com toda a sociedade. A mensagem fundamental do governo foi a de que este é o lote inicial de medidas de eficiência da economia. Novas soluções serão apontadas ao longo de 2017.”

PAULO CAFFARELLI, PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL

“As medidas aprimoram as relações de consumo no país e fortalecem o ambiente de negócios das empresas. O Banco do Brasil participará ativamente dos debates, junto ao governo e aos demais agentes econômicos, para regulamentar as medidas, com o objetivo de estimular a atividade econômica.”

PAULO SKAF, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO

“A situação da economia brasileira continua muito delicada, e sem dúvida não existe uma medida isolada que possa reanimá-la. O conjunto de medidas anunciado pelo governo pode não resolver todos os problemas, mas é um começo para estimular a economia. (...) O governo apresentou outras medidas também importantes, mas de impacto mais difuso e de prazo mais longo, como por exemplo, redução de burocracia e novos instrumentos financeiros e a promessa de busca de redução dos juros do cartão de crédito.”

JOSÉ FRANCISCO DE LIMA GONÇALVES, ECONOMIST-CHEFE DO BANCO FATOR

“São medidas que fazem diferença no dia a dia das empresas. Desse ponto de vista, são importantes. A novidade é a parte tributária. É uma coisa interessante. São dois anos de recessão e as empresas estão amontadas em prejuízo fiscal. Se puder compensar esses prejuízos, dá uma limpada nos balanços. Quando a empresa voltar a ter resultado, ela vai voltar a pagar imposto e o governo vai arrecadar mais.”

MARCELO NORONHA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DAS EMPRESAS DE CARTÕES (ABECS)

A Abecs está pronta para debater com o Banco Central as medidas (...) está pronta para colaborar com o Banco Central, no sentido de atender aos anseios da sociedade. O Ministério da Fazenda e o Banco Central têm sempre agido com determinação para discutir os aspectos regulatórios, sempre pautado pelo equilíbrio e rigor técnico, com o intuito de promover o desenvolvimento do mercado de meios eletrônicos de pagamento.

SILVIO CAMPOS NETO, ECONOMISTA, TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA

“As ações vão na direção correta em melhorar aspectos estruturais. Essas medidas ajudam, mas o problema é que a economia tem falta de demanda. Enquanto não houver uma situação de retomada da economia via investimento, a economia vai ter dificuldade para crescer e essas medidas não são em sua maioria uma forte clara de retomada de demanda.”

FABIO SILVEIRA, SÓCIO-DIRETOR DA MACROSECTOR CONSULTORES

“O pacote de hoje é cosmético e complementar. Atua num pedaço importante da empresa, que é a folha de salários. Do jeito que a situação está tão ruim, essas medidas podem incentivar o desemprego (com a redução gradual da multa adicional de 10 por cento do FGTS em demissões). Não que elas tenham sido desenhadas para isso, mas as empresas precisam se ajustar ao quadro de quase depressão da economia brasileira. Com essa folga, elas vão poder respirar um pouco mais tranquilas e poder resistir de maneira mais confortável ao ambiente recessivo.”

SERGIO VALE, ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

”Priorizaram-se medidas de simplificação e melhoria de eficiência de longo prazo e não de curto prazo. O foco não é e não deveria ser crescimento agora, mas como melhorar a capacidade das empresas de funcionarem. No caso das medidas de crédito, são mais para dar fôlego do que fazer crescer. Há muitos anos não temos um pacote dessa qualidade.”

Por Luiz Guilherme Gerbelli e Aluísio Alves

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