Pará busca posição de principal Estado minerador do país com projeto da Vale

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016 10:11 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto já vislumbra tomar de Minas Gerais, em alguns anos, o posto secular de principal Estado minerador do país, o Pará se depara com desafios para absorver os efeitos do maior projeto de minério de ferro da história da brasileira Vale, que entra em operação neste mês, em Canãa dos Carajás.

Batizado de Complexo S11D Eliezer Batista, o enorme empreendimento obteve a licença de operação do órgão ambiental federal (Ibama) na semana passada e terá capacidade de produção anual de 90 milhões de toneladas/ano, ou 26 por cento de toda a produção de minério de ferro da Vale no ano passado.

Em entrevista à Reuters, por e-mail, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, Adnan Demachki, destacou a importância do empreendimento, que será inaugurado no final de semana, e a necessidade de o Estado se empenhar para potencializar benefícios e reduzir as possíveis "externalidades negativas".

"Grandes projetos atraem grande contingente de pessoas que, em geral, não são absorvidas pela economia local, aumentando a cultura de riscos sociais e culturais e a pressão por demandas de serviços públicos em nosso território", afirmou Demachki.

A saída, segundo Demachki, será aprofundar medidas que busquem evitar problemas em territórios afetados por grandes empreendimentos, como a parceria que o Estado já tem com a ONU-Habitat, para lidar com impactos como de hidrelétricas, ferrovias, rodovias, portos e minas, principalmente nas regiões de Tapajós e Xingu, na região amazônica.

Além disso, o governo quer buscar verticalizar a produção minerária no Estado, por meio de medidas que possam atrair construção de siderúrgicas e de polos industriais, como forma de internalizar as riquezas extraídas do solo.

Atualmente, quase toda a produção da Vale no Brasil é exportada para outros países, em grande parte para a China.

"A verticalização do setor mineral é fundamental para agregação de valor das commodities e geração de melhores empregos e rendas", afirmou, explicando que essa verticalização é um dos principais pilares do Programa Pará 2030, o planejamento para a economia nos próximos 15 anos.   Continuação...