Redução da demanda de diesel por carros gera temor menor entre refinarias

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016 14:34 BRST
 

LONDRES (Reuters) - Mesmo se motor a diesel perder apelo entre os motoristas mundo afora, uma demanda crescente do combustível por navios, caminhões e indústria pesada poderia salvar as refinarias que investiram pesadamente na produção do combustível.

O desdobramento de uma crise, que começou quando Volkswagen falsificou as emissões de gases pelos carros nos Estados Unidos, estimulou mudanças em fabricantes de veículos, que agora estão colocando seu dinheiro em carros elétricos ou apostando novamente nos motores a gasolina.

"Não estou preocupado com as refinarias", disse Steve Sawyer, diretor de refino da consultoria FGE. "Diesel para automóveis de passageiros é apenas uma parte do pool da demanda."

Embora os refinadores de petróleo discordem sobre a rapidez com que o mercado global vai virar as costas para carros movidos a combustíveis fósseis, a indústria naval está se voltando para diesel de baixo teor de enxofre devido a novas regulamentações.

Na Europa, onde a força dos motores a diesel se dá graças a décadas de tratamento favorável do governo, os carros de passageiros representam 1,4 milhão de barris por dia (bpd) do consumo de diesel do continente, de 4,1 milhões de bpd, segundo dados da FGE.

Mas, em todo o mundo, os automóveis a diesel representam apenas cerca de 12 por cento da frota, de acordo com o banco suíço UBS.

O banco alertou esperar que o diesel "desapareça quase completamente" dos carros de passageiros até 2025, caindo para uma participação de mercado de 4 por cento, à medida que híbridos e carros elétricos aumentam sua presença.

Mas esta possibilidade, que, segundo o UBS, deixaria mais expostas as refinarias focadas em derivados da Europa, poderia ser minimizada por decisão da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês).

No início deste ano, a IMO deu um prazo a até 2020 para os navios utilizarem combustíveis mais limpos --uma medida que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) espera que impulsione um aumento de 2 milhões de bpd na demanda de diesel com baixo teor de enxofre.

(Por Libby George)